
Na vila da Vale as casas são todas iguais
Carajás é um nome de vários donos, mas os primeiros que sei, são índios que habitam a região do Pará em que estive. E, por muita homenagem, ou por falta de criatividade mesmo, foram batizando os lugares assim. Serra dos Carajás é uma serra florestada que separa o Centro de Parauapebas da vila de Carajás, uma pseudocidade da Vale e tema desta crônica. Tem também Canaã dos Carajás, tema de futuras crônicas e Eldorado dos Carajás que seria tema de crônica, todavia não mais será. Os viventes no geral, racionais e sentimentais, ambos, ou nenhum, conhecem Parauapebas e Carajás como duas coisas diferentes, embora não sejam. Diga a um taxista: leve-me para Parauapebas e ele levar-te-á para um lugar; diga leve-me para Carajás e, sabiamente, levará a outro, porém, politicamente, diz-se que Carajás é parte de Parauapebas, tenho também minhas dúvidas. Os animais, igualmente, reconhecem a diferença: em Parauapebas com exceção dos anus e algumas colônias de abusados insetos, não se vê bicho; já em Carajás, rebolativas cutias atravessam as ruas, cigarras prolongam seus cantos, passarinhos sabe-se lá seus nomes, camaleões são pedras andantes. A vila é arborizada, as casinhas são bonitinhas e todas iguais, as flores são paisagem comum e o símbolo da Vale é mais famoso que do McDonalds que não existe. Mas seria estranho se não houvesse reclamações diante do lugar que se candidata a Éden. Adão diz que não agüenta mais andar pelas ruas carajaras, conhece todos os seus vizinhos, pois são funcionários da mesma empresa e, pra ele, sentar à mesa dum bar é como sentar à mesa de trabalho. Eva carece cidade e em Parauapebas tá se aprontando shopping, a sua amiga serpente só a vive tentando e o que tem de melhor parece estar pendurado em algum’árvore do centro de Peba. Carajás é uma vilinha de casas sem grade que prova que os bichos são menos perigosos que os homens. Carajás é uma vilinha de casas sem grade em que o tédio corre solto pelas esquinas. Carajás é uma vilinha de casas sem grade que sua fachada bonitinha esconde a cratera imensa que a mina de ferro faz lá’trás. Carajás é uma vilinha de casas sem grade que prova que o homem mesmo sem grades é prisioneiro do trabalho.
Antunes
Rio de Janeiro, 13 de outubro de 2009
Nasci aí e morei até o ano passado. Só posso dizer q é o paraíso. =]
morei em carajás um ano e quatro meses é um lugar maravilhoso sinto muitas saudades irene.
de tanto ouvir falar em carajás eu quero mora aí deve ser lindo mesmo!!!!!!!