O jogo de xadrez como metáfora da sociedade

Conhecemos a história de um autômato construído de tal modo que podia responder a cada lance de um jogador de xadrez com um contralance, que lhe assegurava a vitória.” (Walter Benjamin, Teses sobre o conceito de história)

O jogo de xadrez como metáfora da história e da sociedade atravessa os tempos. Foi na Bolívia que pude vivenciar e compreender de forma mais clara esta parábola. Ao entrar em uma lojinha crucenha de suvenires, me deparei com o magnífico jogo de xadrez, dos mais bonitos que já vi em vida, largado e empoeirado sobre uma prateleira qualquer. Imaginei que seria caríssimo, mas pude comprá-lo por pouco menos de 30 Reais.

Quando cheguei ao hotel, montei o tabuleiro sobre a cama e fiquei a olhá-lo. De um lado estavam as peças brancas: os espanhóis com seu rei e sua rainha europeizados, com sua torre à moda ibérica, seus cavalos de combate. Do outro lado estavam as peças vermelhas: os incas com sua monarquia indígena, suas torres ao modo incaico, suas lhamas ao invés de cavalos. Simulacro infinito do combate que se realiza dia a dia na sociedade boliviana, resquício da guerra colonial, desdobramento de novas lutas: collas x cambas, estrangeiros x nacionais…

Como em qualquer jogo de xadrez, os primeiros a cair em combate são sempre os peões.

Uma resposta para “O jogo de xadrez como metáfora da sociedade

  1. Fala amigo,
    Belo recorte histórico.
    Walter Benjamin lembra nossa bela professora Muza Clara, pois “precisamos colar os cacos da história”.
    Abração.

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