Quando os pilotos tomam guaraná

Não sei donde veio o mal, mas lhes afirmo que morro de medo de avião. Não há barata, sapo, lobisomem, sucuri, aumento de imposto que me assuste mais do que altura. Ressalto: abandonei a UERJ porque não suportei atravessar as passarelas de monstruosos onze andares, tampouco chego à janela do meu modesto segundo andar. Medroso, precavido, cagão, empregar-me-ás estes adjetivos conforme a intimidade e carinho que nutres por mim. Minhas experiências com o monstro alado são poucas: ainda bebê, fui a Brasília; aos onze, fui até Recife; este ano, São Paulo e, agora, estou em Ribeirão Preto. É do vôo de Ribeirão que trago a experiência mais assustadora, apenas por ser a mais recente: voei em um avião da Passaredo (só acreditei que existia esta companhia de sugestivo nome quando vi) em que, de tão pequeno, só se andava curvado dentro dele. Fui sentado em um banquinho ao modelo “Jesus me chama”, famoso em ônibus do Rio de Janeiro. A senhorinha do banco ao lado, ao fim da viagem, confessou-me: comentei com minha amiga como estava engraçada sua cara de medo (engraçada pra elas, ressalto eu). Ao pedir um suco de pêssego para a aeromoça, percebi no bojo do diminuto avião, através da porta aberta da cabine, que piloto e co-piloto, sobre o painel de controle, tomavam guaraná. Deve ser por isso que tenho medo de voar, por não tomar guaraná.

Antunes, Ribeirão Preto, 10 de setembro de 2009 – 21:38

Este é o Passaredo, chamado popularmente de Passamedo. Foto tirada ao descer do avião.

Este é o Passaredo, chamado popularmente de Passamedo. Foto tirada ao descer do avião.

5 Respostas para “Quando os pilotos tomam guaraná

  1. Ou eu chuto o balde, ou eu preencho o formulário…

  2. Mas a cara mais engraçada é a da foto que tiramos no voo para SP… Eu sorrindo e vc comendo as unhas huahuahuhauhauhauhuha ainda rio muito com esta! bjs!

  3. Filho;
    Vamos tirar proveito da crise. Se não fosse esse medo, eu jamais teria lido essa crônica que achei da melhor qualidade (espero que o suco de pêssego também tenha sido). Quase parafraseando a sexóloga Suplicy, já que tá lá em cima, relaxa e aproveita a inspiração pra escrever mais.

  4. Meu caro amigo, a coisa tá feia pra você… Seus encontros com o terapeuta devem ser mais corriqueiros.
    Se cuida!
    Ah! Gostei do seu blog de viagens!

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