Que há de bom por aqui?

Sou movido a curiosições, investiguidades. Quando piso numa outra cidade, gosto de conhecer o que se mostra e o que se esconde por ali. Aproveito os momentos em que não estou trabalhando pra ir a pé por aí, desrumado, desencaminhado, a encontrar algum destino que se faça justo e, muitas vezes, descubro que o destino é o próprio caminho.

Dia nove, estive em Ribeirão Preto. Logo que peguei o taxi, perguntei ao motorista em tom de boa-noite: o que tem de bom aqui em Ribeirão? O sujeito repetiu a minha pergunta, pensou e saiu-me com esta: óia, tem umas termas muito boas aqui, uns barzim… ri e pensei cá com meus botões: não me fiz entender. Ao chegar ao hotel, fui conduzido em um carrinho elétrico até meu chalé. Nada satisfeito, perguntei ao motorista: e o que tem de bom por aqui? Uma coisa que o sinhô muito há de gostá, tem umas francesa e umas americana, aqui no hotel, boa mesmo. O fato foi que não descobri nada pra se conhecer em Ribeirão Preto. Passado o dia de trabalho, passarinhei-me a São José do Rio Preto. Tolo e insistente, assim que entrei no taxi, novamente, perguntei: o que tem de bom pra se conhecer aqui? Meu amigo – disse ele – tem coisa boa demais aqui em São José! Tem cada puterim que cê nem imagina. Isso foi o suficiente para o taxista me mostrar todos os pontos que não estão registrados nem no Google maps. Com maestria indicou-me e fez recomendações de todas e mais algumas zonas da região. Em frente ao hotel, indicou-me a zona ao lado: esta aqui é pé-rapada, mas, se precisar, dá pra quebrar um galho – estendeu-me seu cartão de taxista: qualquer coisa é só chamar. Então lhe respondi: amigo, se eu quisesse ir nesta zona, eu não chamaria um taxi, iria a pé e descalço.

Antunes – São José do Rio Preto, 11 de setembro de 2009 – 20:33

2 Respostas para “Que há de bom por aqui?

  1. Hahaha!

    Sensacional! “óia, tem umas termas muito boas aqui…” Haha! Definitivamente eu não aguentaria ouvir isso se me escangalhar de rir. (claro, a menos que fosse isso mesmo que eu estivesse procurando, haha!)

    Apesar de saber que isso é muito comum no interior, não imaginava que as coisas estivessem nesse nível.

    Por outro lado, imagino que um turista estrangeiro numa metrópole como o Rio de Janeiro deva receber a mesma resposta dos taxistas daqui em relação à mesma pergunta que você fez.

  2. Amor, você está proibido de fazer essa pergunta para taxistas!

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