Medo de quê?

Desejoso de uma fralda, embarquei para Sergipe. Fui um dos últimos a entrar no avião e me deparei com uma multidão de olhos. Fui sentar-me à frente de seis deles. Dois olhos, irmãos duma boca, compartilhavam aos amigos histórias vividas pra modi de aguardar a decolagem: outro dia, amigo meu tava com uma dessas máquina que se vê foto na hora. Lá na minha terra a gente só conhecia Polaroid pra se fazê isso. Aí, o cabra falô pra nós: vô tirá foto de cês , faz pose. Então, inteligente, pensou o sujeito:  vô saí nessa também, ponho o ajuste dos dez segundo e corro ao encontro deles. Quando disparou na direção dos amigos, todos, assustados, debandaram a correr. Volte aqui, pra onde cês vão?, disse o fotógrafo frustrado. Os outros lhe gritaram: se tu que é o dono, ligou a máquina e saiu correndo, é nós que vai ficar aqui parado?

E assim num é o homem? Tem medo da morte, de altura, de escuro, de avião e até de máquina fotográfica.

Antunes – Voando a Aracaju – 15 de setembro de 2009 – 15:02

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