Parauapebas, cidade de aventureiro

Foi um taxista quem cunhou a expressão do título: Parauapebas, cidade de aventureiro! Isso dizem outros, não eu. Dizem que Parauapebas é feita por uns fugidos que vem do Maranhão pelas linhas do trem e perduram pelas linhas do tempo. Não sei da veracidade das informações. O que sei é que na segunda-feira, 21 de setembro, mataram um sujeito com seis tiros na cara no ponto de ônibus. É vingança, a droga do lugar. E quando se fala em violência, por associação, falam Rio de Janeiro. Todos temem o Rio. E quando me apresentava como carioca, a polifonia das vozes se repartia em perguntas e exclamações: como você vive no meio das balas perdidas? a Linha Amarela é aquilo mesmo? nossa virgi! ai, meu Deus, é do Rio, deixa eu esconder minha carteira! E num dia, resolvi inventar uma explicação mui parcial para o caso: Pessoal, não é que o Rio seja assim por demais violento, a coisa é que pra não ter migração de nortista e nordestino pra lá inventam estas histórias pra assustar vocês. E criando esta história sobre outra história, frágil como castelo de cartas, todos arregalaram os olhos, pois o castelo de cartas é frágil, mas impressiona pela sua habilidade de construção.

Com 152 mil habitantes, Parauapebas é uma cidade escura, cortada por uma estrada envolta por floresta. Dizem que nas suas esquinas, sob a penumbra, habitam assaltantes à faca e a canivete descendente de indígenas empobrecidos. Há foliões fora de época, ou melhor, há épocas por fora de foliões que trazem consigo o calor das noites vividas nas zonas de baixo meretrício da Pirâmide e da Rocinha. Há quiosques e supermercados em quantidade que jamais vi, há pássaros negros como pequenos urubus que estão nas árvores, mais que folhas. Um deles, de vôo curto, acompanhou-me pelas caminhadas como se fosse delatar-me a alguém: é o anu-preto. Mata-se em Paraupebas, mas o anu rejeita a carne, mata-se por qualquer cinqüenta centavos e a lei sai das mãos de qualquer um, a vingança é a lei. Vingar-se é um direito que cabe ao homem. Pois vinguei-me, baseado nas leis das bocas do lugar: menti-lhes. Menti-lhes que nossa violência é mentira, vinguei-me.

Antunes

Rio de Janeiro, 8 de outubro de 2009

 

A Câmara Municipal de Parauapebas

A Câmara Municipal de Parauapebas

O começo da estrada que leva à floresta

O começo da estrada que leva à floresta

Cachorro brinca com as flores da árvore

Cachorro brinca com as flores da árvore

Anu pousado na árvore

Anu pousado na árvore

3 Respostas para “Parauapebas, cidade de aventureiro

  1. Já estava com saudades destas suas mentiras… te amo.

  2. Olha eu moro em Parauapebas mas naum sou daqui sou de são luis e unica coisa q não gostei desse lugar é o preconseito aos Maranhenses..acabem com isso!ta?

  3. É verdade, Ytaiana, em Parauapebas se tem um grande preconceito contra os maranhenses, espero que isso não dure muito tempo, até porque são eles que estão entre os principais moradores da cidade.

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