Panapaná

Sempre quis usar esta palavra e agora me surge a oportunidade (viva!). Pra quem não a conhece, explico: panapaná é o coletivo de borboletas de origem tupi (não de borboletas de origem tupi e sim o coletivo é de origem tupi). Refletindo sobre a palavra, pensei que ela é bastante supérflua no meu cotidiano, afinal, quando vejo borboleta, vejo uma e não um coletivo delas. Todavia, tive o privilégio. Foi na ida de Parauapebas para Canaã dos Carajás. Enquanto eu lamentava a substituição da floresta amazônica por centenas de fazendas com meia dúzia de cabeças de gado, um vento canhoto batia no mato a brincar de balançar. Foi aí que se deu: centenas de milhares de borboletas amarelas, miudinhas, saíram de seus esconderijos e atravessaram a estrada aproveitando o embalo vadio do vento. Batiam nos vidros do carro, entravam debaixo do veículo, cobriam a visão, num espetáculo que eu nunca imaginei que existisse. Cheguei a temer e, ao mesmo tempo, a desejar que elas levassem o carro com elas, a voar por aí. Metido naquela nuvem amarela, não pude evitar que o motorista do taxi visse a minha cara de bobo, boquiaberta. É, garoto, estas são as borboletas. Foi aí que lhe retruquei: Borboletas uma ova, isto é um panapaná!

Antunes
15 de outubro de 2009

Uma resposta para “Panapaná

  1. De nada, de nada…

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