Palavra de quem sabe

E não é só nos filmes. Antes fosse, porém não é. Não é só nos filmes que estão aqueles terratenentes, coronéis, latifundiários. O interior do Pará é um ninho deles, ninho da elite mais caquética, reacionária e faraônica do Brasil. Voam nos aviõezinhos entre abraços e apertos de mãos: Olá, deputado, Olá, senador. Onde era pra ser floresta, são fazendas infindáveis com um número tão findável de vacas que dá para contar nos dedos. Andam pelas ruas com seus sorrisos de promessas e estão pelos hotéis. Pra eles, sempre é hora do café da manhã. Conheci um assim, no hotel de Canaã. Já não aguento mais o governo Lula, dizia ele. Com esta coisa de bolsa família está acabando com os trabalhadores. Seu João, cuide disso, pois se Lulinha dá bolsa pros seus funcionários do hotel o senhor vai perder todos. E no auge de sua graça estendeu a mão e chamou a cozinheira: Vem cá, dona bolsa família. Cê não tem não, né? Ela esquivava os olhos. Pois, garanto, se cê tivesse ia preferir ficar em casa do que trabalhar. E assim são os senadores, deputados e parasitas no geral, preferem viver da nossa bolsa megafamília do que trabalhar. Aposto que o doutô falou por experiência própria.

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