Carta à mãe: minas de queijo

Mãe,

Pousei cá em Minas Gerais. Me enganaram, mãe. Eu achava que Minas era que nem a Lua: feita de queijo, mas né não. Ainda nem vi queijo aqui. Tá certo que não andei muito, mas mesmo assim. Logo que cheguei, baixei no chão e bati com a mão, tentando arrancar um pedaço. Era asfalto, mãe. Era asfalto que nem no Rio de Janeiro. Que ilusão, as ruas aqui não são feitas de queijo. Outra coisa, mãe. O pessoal aqui não anda com matinho no canto da boca, nem de camisa xadrez. O pessoal é moderninho que só.  Até funk eles ouve aqui, virgi santa mãe, que pecado. Eu achei que fosse encontrar o Chico Bento, separei na minha mala só roupa xadrez e vim com a gula de queijo. Me dei mal, mãe. Minas Gerais é uma mentira. Só tem uma coisa, só uma coisa, mãezinha, que é verdade e tá salvando minha viagem, só um dos folclore é a mais pura verdade: mãe, como mineiro fala UAI!

Beijo do teu filho sedento de queijo
Antunes
Belo Horizonte, 13 de novembro de 2009

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