Arquivo do mês: fevereiro 2010

A onça

Em Parauapebas tive os primeiros contatos com as histórias da onça. Contam que, na Vila de Carajás, o bicho entrou por dentre as casas e devorou um infeliz menino. Outros dizem que o tal menino é que foi até o mato e a onça só o matou no intuito de proteger os filhotes. Sempre que vou ao interior do Pará, me lembro das histórias de onça e queria, um dia, sentir o espanto de estar diante de uma.

Para se chegar à Mina de Paragominas há que se atravessar a floresta. Leva-se uma hora de ônibus. Os trabalhadores vão dormindo confortáveis no ar condicionado. Ao voltar para a cidade, no meu primeiro dia por lá, todos dormiam, exceto eu. Aqueles mineiros perdiam espetáculos inéditos pra mim, quiçá cotidianos pra eles, como as imensas aranhas caranguejeiras que atravessam as ruas e o sacudir das árvores por micos, cutias e pássaros de infinitas cores. Naquele dia, mais que isso, vi além: vi a onça. Entre o mato noturno, estava ela. Esfreguei os olhos e quando vi novamente, o ônibus já tinha ido. Foi rápido demais, cheguei a achar que fosse ilusão, sono, fome. O pior é que não havia uma alma desperta para confirmar ou negar o fato.

No dia seguinte, voltei ao hotel atento ao mato rasteiro. Bem ao lado das rodas do ônibus estava a onça. Ninguém a via – desprezada, a pobre – caída sem sua importância de onça. Minha certeza foi tanta que cheguei a duvidar de tê-la visto. Precisaria confirmar no terceiro dia.

Novamente, voltei da mina de ônibus e, no mesmo local, junto à quinta árvore de galho retorcido em espiral, tive certeza, estava a onça. Impulsivo, gritei para o motorista: Pare! Pare o ônibus! Assustado, pisou no freio e parou o veículo bruscamente. Todos acordaram apavorados. Eu corri para a dianteira do automóvel e ordenei: abra a porta! Desci. Fui até o mato rasteiro. Pensei tê-la perdido de vista, mas logo a encontrei. Estava ali, a onça pintada. Imponente aos meus olhos, ficamos frente a frente. Abaixei-me, toquei-a, agarrei-a, levantei-a, dobrei-a ao meio e coloquei-a no bolso. Não é sempre que se acha uma nota de cinqüenta Reais perdida, inda mais no meio da floresta. Voltei ao ônibus e, desta vez, dormi.

Antunes
Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2010

Acha-lenda: o jogo que inventei em Paragominas

Introdução:

Acha-lenda é o mais divertido jogo já inventado por Vinícius Antunes. Saia pela floresta, aventure-se no mato, busque o fantástico. Você e seus amigos irão se divertir, além de desfrutar do saudável contato com a natureza e com as histórias de nosso povo. Acha-lenda, neste jogo, o mais rápido e destemido aventureiro é quem ganha!

Número de participantes:

De 1 a 5 jogadores

Idade recomendada:

De 10 a 60 anos

Equipamentos necessários:

Máquinas fotográficas digitais, vestimentas adequadas e cronômetro(s).

Obs.: este manual não vem com os utensílios necessários. A aquisição destes é de responsabilidade dos jogadores.

Objetivo

Fotografar o maior número de personagens do folclore brasileiro.

Instruções:

Decide-se a quantidade de jogadores (o jogo também funciona com um único participante)

– Os participantes devem se dirigir ao Parque Ambiental de Paragominas.

– A largada é dada do portão de entrada do Parque, ativam-se os cronômetros.

– Os participantes correm em busca de fotografar personagens do folclore.

– Ganha quem tiver feito o maior número de pontos em 10 minutos (em caso de um único jogador ele deve fotografar 5 personagens em menos 10 minutos).

Pontuação

– Cada foto de lenda vale 10 pontos.

– Fotos erradas de qualquer coisa que não seja lenda, perde 5 pontos por foto.

– Picada de mosquito, perde 2 pontos por picada.

O vencedor

É aquele que, feitas as contas, acumula o maior número de pontos.

Agora que você já conhece o jogo, é só cair nesta eletrizante brincadeira!

Antunes
18 de fevereiro de 2010

ABAIXO FOTOS DE UMA PARTIDA DE ACHA-LENDA

 

 

Ponto de partida do Acha-lenda!

Matinta Pereira (lenda) = 10 pontos

Anaconda (não é lenda) = perde 5 pontos.

Sereia (lenda) = 10 pontos.

Urna Maracá (não é lenda) = perde 5 pontos.

Mapinguari (lenda) = 10 pontos.

Pescador (não é lenda, é contador de lenda) = perde 5 pontos.

Saci Pererê (lenda) = 10 pontos.

Curupira (lenda) = 10 pontos. Foto minha publicada no livro Meio Ambiente e Florestas.

 

Uma Paragominas italiana

Tá ok, eu sei que Paragominas é uma cidade composta por gente de tudo que é lado: tem mineiro, goiano, maranhense, cearense, paranaense e por aí vai… Mas, de onde saiu esta colônia italiana que anda por aqui? Se você respondeu “da Itália”, agradeço muitíssimo a sapiência e humor, mas eu apostaria que os italianos daqui saíram do Paraguai.

Nada contra os italianos de Paragominas e nada contra os paraguaios, muito pelo contrário, quanto aos paraguaios é uma exaltação, pois creio tanto na sua capacidade de falsificar que sei que são capazes até de falsificar italianos. Quanto aos italianos paragomineiros, nada contra eles, apenas contra a sua pizza.

Pizza, para os que não sabem, é o prato principal de Paragominas. Há pizzaria espalhada por todos os lugares: só perto do meu hotel estavam três. Longe de ser a leve pizza carioca, a famosa pizza paulista ou a internacional pizza italiana, a pizza paragomineira lembra um pão com queijo, mas mata a fome e é melhor que tacacá, eu garanto.

O grande problema da pizza de Paragominas não está no sabor, está no preço. Além de se organizarem em cartel, os donos de pizzarias cobram valores exorbitantes. Eu, na minha humilde casa, posso ligar pra pizzaria, pedir a tamanho família e ganhar um refrigerante de dois litros, pagando 27 Reais. Em Paragominas, SÓ A PIZZA, chega a incríveis 35 Reais.

Porém, apesar de tudo, mofar nos restaurantes paragomineiros para comer uma pizza com cupuaçu parece ser a melhor opção e, com o passar do tempo, você perceberá que ela se tornou a principal componente da sua cara e fofa dieta alimentar.

Antunes

18 de fevereiro de 2010

O restaurante La Cantina - péssimo e ridículo atendimento, comida com qualidade duvidável. Endereço: Rua 7 de Setembro, 222 - Centro.

Cia. Paulista de Pizza - tem um razoável e barato rodízio, vale conhecer. O atendimento é bem lento. Endereço: Rua Dr. Luiz Carlos, s/n° - Centro.

D'Itália - o melhor restaurante de Paragominas, o mais simpático atendimento, porém demorado também. Endereço: Rua Bernardo Sayão 258, Centro.

Vozes de Paragominas

“E isso é o pior mesmo. Essa coisa da especulação imobiliária aqui. Eu num sei não, às vez penso até em largar tudo. São dois peso e duas medida: se cê chega com o uniforme da Vale o apartamento é um preço, chega sem uniforme é outro. Eles acha que porque é funcionário da Vale tem dinheiro, num faz idéia de quanto a gente ganha. E como se vive assim, uai? E comprar terreno? Num dá também não. Chuta aí, sabe quanto tá? Cinqüenta mil um terreno! Não, mas já tô vendo, qualquer dia volto pra Minas.”

Henrique Andrade – 33 anos – Mineiro

“Pense: como é que faço com minha família? Os colégio são fraco, num tem lazer, num tem faculdade direito também. Tá certo que se compará com Parauapebas, Canaã, Ourilândia, até tem. Mas, se comparar com Recife donde vim, tem não. Recife é uma metrópole, homi, a gente vem pra cá estranha, né? E o carnaval agora? Tem nada. É bom pra dormí, só assim descansa. Senão eu ia pra Olinda, mas vô não, com filho, sabe como é, né? Oxi, mulé ciumenta também, aqui num se pode nem olhá pro lado, é todo mundo conhecido. Cidade pequena tem disso, né?”

Januário Martins – 38 anos – Pernambucano

“Mesmo sendo judeu. Isso, judeu. Sempre me trataram muito bem aqui. Paragominas é uma cidade cosmopolita (risos). Deve ser porque tem gente de todo lado: maranhense tem muito, mineiro, goiano. Do Paraná não tem muitos não. Tem eu, conheço mais uns três. Então, aí por isso deve ter essa coisa de aceitar todo mundo. Já trabalhei em lugar que fui muito discriminado, mas aqui não. Guardo o sábado, não como comida impura e nunca tive problema. Sempre o maior respeito, sabe? Tem gente que reclama muito, eu até gosto daqui. Claro, não é que nem o Paraná, eu tenho vontade de voltar, mas não agora, mais pra frente, quem sabe? O Paraná é um Estado incrível. Conhece? Não! Tem que conhecer. Não tem violência que nem aqui. Aqui, se tem moto, tão roubando. Se briga, é capaz de te matarem sem perguntar o nome. Lá não tem isso não. Sem falar que a cidade é limpa, nem parece Brasil. Aqui parece bastante.”

Igor Benjamin – 29 anos – Paranaense

“Às vezes acho que nem tô no Pará. É muito diferente de Belém aqui. É um pessoal estranho, é todo mundo do seu trabalho, sempre as mesmas pessoas. Olha, não vou dizer que não gosto porque não vô falar mal de onde vivo, né? Mas, Belém é muito melhor, tem lugares pra ir. E pra casar? Não sei como vou casar aqui não. Outro dia liguei pra minha mãe, tava falando com ela: mãe, vô morrê soltera nesse lugar! Por quê? Porque é sempre os mesmos homes. O pessoal é simpático, mas vira coleguinha de trabalho. Sem falar na fofocada, né? Você vai comê pizza com alguém, amanhã já tá todo mundo comentando. E ainda tem os preconceitos do pessoal dos outros lugar, né? Ah… tem muitos. Por exemplo, dizem que a gente só gosta de calypso. Mentira. Bom, até gosto, mas gosto de outras coisas também: axé, sertanejo…”

Márcia Nascimento – 27 anos – Paraense

Antunes
Rio de Janeiro, 18 de fevereiro de 2010

Atestado de estada em Paragominas

Comparada a outras cidades do interior do Pará, Paragominas é tranqüila, com casinhas de madeira que rodeiam a parte mais urbanizada da cidade. Com o minério por lá, a cidade cresce mais que o previsto: sobe o custo de vida, explode a especulação imobiliária, encarece a comida e os serviços. Quanto ao lazer, são poucas as opções: sobressaem as caminhadas, as praças e o Parque Ambiental.

Se precisar ir ou quiser conhecer Paragominas, recomendo o Residence Palace Hotel à Rua 15 de novembro.  É simples, com um quartinho que nem de detenção, mas possui um atendimento excelente e está muito bem localizado no Centro da Cidade.

Quando estiver por lá, tome suco de cupuaçu com pizza, caminhe pela praça Célio Miranda, visite o Parque Ambiental e faça um amigo funcionário da Vale. Estes são os atestados de quem esteve realmente em Paragominas.

Antunes
Rio de Janeiro, 16 de fevereiro de 2010

Praça Célio Miranda

Vista da varanda do hotel

A Igreja de Paragominas

Residence Palace Hotel à noite

O Cupuaçu

Ao pisar no Pará há que se tomar o suco do cupuaçu. Sei que no Rio de Janeiro tem, em São Paulo tem, por aí tem, mas não há como o cupuaçu do Pará. É mais cremoso e por estar no seu habitat natural, está mais à vontade para compartilhar seu sabor. Logo no aeroporto de Belém, corra no Café do Arthur e tome um cupuaçu com leite. Não há erro com o cupuaçu bem doce e com leite. Diferente do suco, nunca fica ralo e entope só de bater no estômago, agüenta até que se chegue à outra cidade. Ao chegar ao interior do Pará, o suco é melhor ainda por lá, sempre menos água, sempre mais poupa. Dá pra achar em Paragominas suco a dois Reais, em Paraupebas tem por três e Canaã dos Carajás também. O suco é saboroso e forte, vicia igual cachaça e sai até pelo suor. Não é em vão que bombom no Pará, no lugar de licor, tem cupuaçu. Tomar cupuaçu pela noite é acordar conversando com ele no dia seguinte, conversa boa, sem dor de ressaca: é a ressaca do cupuaçu.

Antunes
14 de fevereiro de 2010

Se Paragominas existe, como se chega lá?

Não adiantaria, leitor, explicar-lhe como chegar à Mina de Paragominas sem antes provar que a cidade de Paragominas existe objetivamente. Senão, seria fechar os olhos e imaginar-se lá. Provo: Paragominas é uma jovem cidade presente no interior do Pará com algo mais de 40 anos. Seu nome é de criatividade mosaica: PARA – em homenagem ao estado, GO – em homenagem a Goiás (um dos estados que ajudou a formar a cidade) e MINAS – adivinhe leitor – em homenagem a Minas Gerais (também parte de sua história). Para que fique ainda mais provado que Paragominas existe, digite no Google. Até site a prefeitura tem.

Passada a primeira parte, cabe a grande rota Sulacap-Mina de Paragominas – para todos os moradores das cercanias do Jardim da Saudade que pensam em fazer este belo passeio algum dia.

1 – Vire-se para chegar no aeroporto do Galeão
2 – Pegue um avião para Belém (tente o milagre de conseguir um vôo sem escalas – eu consegui)
3 – Chegando em Belém (menos de 4 horas) tome uma surra de espera até o horário que passa o ônibus da Vale que te levará a Paragominas.
4 – Enfrente umas 5 horas de viagem para chegar à cidade de Paragominas.
5 – Pernoite, seu dia já acabou, mané.
6 – Pegue outro ônibus da Vale e mais uma hora de estrada com verde de um lado e verde do outro.
7 – Mina de Paragominas, seja bem-vindo!

Antunes
11 de fevereiro de 2010

O ônibus que leva de Belém a Paragominas

A paisagem da viagem (quase tema do Wimdows)

Chegando à mina

Parauagrécia – o presente

Pelo fato de ligar para marcar taxi pra outras pessoas, mantive certo contato com O Guia da Floresta seu Luiz Gonzaga, pai do também motorista Nelson Nedi. Ademais do contato pelo telefone, trocamos cordialidades, inclusive presentes. Regalei-o um porta-retratos com foto sua que tirei e, em troca, mandou-me um pesado isopor que recebi pelas mãos de minha amiga de trabalho, Xandinha Magalhães. No ápice da curiosidade e entre os astutos olhares dos colegas de trabalho, resolvi abrir aquele sarcófago para ver que mistérios guardava. Vi um monte de sacos plásticos enrolados e não era possível compreender mais nada. Foi quando gigantescas formigas amazônicas saltaram do isopor como gregos saltaram do Cavalo de Tróia. Fechei o presente enquanto era tempo e pisoteei algumas formigas que se aventuravam pelo carpete. Com o isopor bem fechado, cheguei em casa e criei uma estratégia de guerra baseada em Sun Tzu, pus luvas, enfiei o isopor dentro do tanque, abri. Formigas estavam ansiosas para saltar dali, fugiam com perspicácia e dominavam diversas artes marciais. Apressado, desenrolei as sacolas plásticas: encontrei doce de bacuri, polpa de cupuaçu, queijo, castanhas descascadas e castanhas com casca e terra – daqui vinham as formigas. Fervi água no microondas, retirei tudo que tinha no isopor – menos as castanhas com casca e terra e tasquei aquele fervor dos infernos nas bichas. Elas agonizaram e não desistiram, algumas tentaram ataques suicidas. O combate durou uma interminável noite. Desta vez, quem venceu foi Tróia!

Antunes
11 de fevereiro de 2010

O Isopor no tanque

Deixando só as castanhas com terra no Isopor

Só as castanhas no Isopor

Vitória obtida, mesa posta

Los diez mejores y los diez peores

Depois que Emanoelle e eu desbravamos Buenos Aires resolvemos fazer um clássico, tosco, porém emocionante TOP 10. Confira a lista abaixo (os melhores estão separados por opinião dela e dele, os piores foram eleitos em conjunto)

TOP 10 – melhores de Buenos Aires

Ella – primero las damas

1-Floralis
2-Caminito
3-Feria de la plaza francia
4-Dulce de leche
5-MALBA
6-Calle Florida
7-Helados
8-Plazas (incluso la de Mayo)
9-Supermercados
10-Zoo

Él – después los caballeros

1-Caminito
2-Floralis
3-Zoo
4-Dulce de leche
5-Bombonera
6-Plazas (incluso la de Mayo)
7-MALBA
8-Ateneo
9-Empanadas
10-Precio de los libros de Borges

TOP 10 – Piores de Buenos Aires

Por los dos (ella y él)

1 – Notas falsas
2 – Mosquitos
3 – Filme do cinema 3D do Zoo
4 – Proibição de tirar fotos no MALBA
5 – Vendedores de loja de couro
6 – Cocô de cachorro nas calçadas
7 – Centro Cultural Borges
8 – Molho das massas vendido separadamente
9 – As carnes estranhas
10 – Senhoras de biquíni nas praças

Antunes e Nôla Farias
Janeiro de 2010

Obrigada! Muito obrigada!

Por Nôla Farias – participação especial

A primeira dificuldade foi hablar a língua hermana. Para o cérebro, a Geografia não faz sentido no apenas saber-se em algum lugar. Pois bem, havia voado por três horas e sabia que estava em Buenos Aires, mas o espanhol não me saía da boca. Aliás, não me chegava à boca.

Vinícius não compreendeu, achava que eu não falava porque não queria, ou porque me sentia insegura. Mas não era o caso, eu queria. E ainda que não tenha estudado regularmente espanhol – as aulas do ensino fundamental não contam – me dou muito bem com a língua nos tantos textos acadêmicos sobre a geografia da América do Sul e mesmo nas músicas e filmes com os quais, não raro, me relaciono.

Entretanto toda minha racionalidade não foi suficiente para que eu pensasse antes de falar e pudesse pronunciar “gracias”, “permiso” ou mesmo “buenos días”. Mas felizmente esse problema se resolveu e lá pelo terceiro dia já conseguia estabelecer uma comunicação básica na língua local.

Como disse inicialmente, este foi apenas o primeiro problema. Porque, cá entre nós, tirar férias é muito bom, mas turista em terra estranha só se ferra. E foi obedecendo à regra que eu pisei em cocô de cachorro, recebi pesos falsos, paguei caro em táxis, confiei em sugestões pouco confiáveis de um guia, entrei em ônibus sem moedas…

Aliás, outro dia estava andando pra Lapa quando dois TURISTAS (com letras maiúsculas porque são aqueles branquelos de chapéuzinhos e com a câmera pendurada no pescoço, os mais assaltáveis) me perguntaram onde ficava a estação pro bonde de Santa Teresa e se, lá, era perigoso… me questionei se os boanerenses sentiam de mim a mesma pena e achavam a mesma graça que senti/achei dos dois…

Nôla Farias

Rio de Janeiro, 8 de fevereiro de 2010