Sinais dos tempos

Professô, agora Ourilândia é o paraíso, o sinhô tinha que vê cuméra antes.” (frase de um aluno, morador de Ourilândia há 25 anos)

Aqui é precário, né, professor? É um choque quando a gente vem pra cá. Por isso que eu sempre falo pro pessoal: aqui a gente tem que estar unido, pois a cidade não tem estrutura, o que faz possível viver aqui são as pessoas.” (aluna, moradora de Ourilândia há 2 meses)

Ao chegar pela estrada de terra batida e lama, tem-se a impressão que por ali passou um furacão. Não se pode dizer destruída porque sequer a cidade chegou a ser construída algum dia. As pessoas carregam no olhar a presença da ausência. As crianças andam cobertas de terra, desnudas pelas ruas, trabalham nos estabelecimentos. Não vi riso de criança em Ourilândia, não vi criança brincar. Vi legiões de crianças atendendo em hotéis, servido nos bares, vendendo nas tendas. Não vi criança nenhuma, vi corpos de crianças que agem como adultos. E a gente humilde e solícita, unida como deve ser um povo, feliz por receber os de fora, emprenhada daquele otimismo que nos causa inveja e raiva: a cidade já melhorou e ainda vai melhorar mais.

Antunes

Ourilândia, 26 de março de 2010

A BR que passa por Ourilândia

Uma resposta para “Sinais dos tempos

  1. Sua sensibilidade é tão grande quanto a sua inteligência. No seu coração sempre sobrará espaço para sorrisos de crianças de muitas Ourilândias. Sua parte para que esses sorrisos brotem, você já está fazendo.

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