PISCI-NÃO!

Por Victor Souza – Participação Especial

Eu estava em casa, lia em voz alta um poema de Ricardo Reis para Amanda, minha esposa, quando o telefone tocou, era o Vinícius, sujeito responsável por este indecoroso blog.

– Salve, Victor, meu camarada! – Disse-me ele. Logo percebi que não vinha coisa boa.

– Vinícius, anda sumido! – foi o que lhe disse.

– Liguei pra te pedir um favor.

– Diga.

– Sabe meu blog?

– Sei.

– Um amigo meu ficou de escrever um texto pra publicar e não vai mais poder, será que você que é um escritor nato, poderia me ajudar?

– Primeiro é que não sou escritor nato, você bem sabe. Segundo é que depende do tema.

– O tema é mole pra ti: Piscinão de Ramos!

– Que?

– Piscinão de Ramos.

– Nem pensar.

Este foi nosso primeiro diálogo sobre o tema. Entretanto, a curiosidade foi bastante. Quando comentei com Amanda ela ficou mais curiosa que eu (que já havia decidido não ir). Como não sei recusar os pedidos de minha amada mulher, resolvi ligar novamente pro Vinícius. Não sei o porquê, mas ele ficou muito feliz com a porcaria da minha resposta afirmativa.

Para escrever este texto tive que ir ao Piscinão duas vezes. Na primeira fui de carro, mas não consegui estacionar em lugar nenhum e voltei pra casa. Na segunda, fui de taxi, porque sou um pouco avesso a andar de ônibus – o taxista deve ter estranhado eu sair da Tijuca para me banhar no Piscinão.

Quando chegamos, estava lotado. Deveria ser um daqueles dias em que lá estão umas 60 mil pessoas. Eu temia por Amanda que é uma mulher bonita e chama muita atenção. Confesso também que estava receoso de pisar na areia, mas não por ser preconceituoso e sim por sempre ler que as condições de salubridade do local não são as melhores. Não me arrisquei a entrar na água porque havia muitas crianças pulando e isto me perturba bastante. Também não quis atravessar as multidões de pessoas que se aglomeram pelo caminho. Diferente do Vinícius, estou longe de ser um aventureiro romântico e não recomendo o lugar como passeio, a não ser, claro, aos aventureiros românticos. Fiquei sob um coqueiro abraçado à Amanda, a observar o espetáculo do mundo, talvez ali tenha havido alguma beleza.

Victor Souza
Rio de Janeiro,  24 de abril de 2010

3 Respostas para “PISCI-NÃO!

  1. isso é para não visitar? isso é um como proceder lá? isso é uma narração (vaga) do local? ou isso é a descrição de um maldito “piti” burguês? se o for, talvez assim o valha.

    chutei..

    Dagoberto

  2. Sobre o texto, gostei de ele ser vago, informa o bastante e é leve. E talvez eu escrevesse algo sobre o piscinão semelhante (ou não).
    Sobre você, Dagoberto, eu achei graça no seu comentário… me pareceu que ninguém tem o direito de falar com sinceridade. Eu jamais (ou, assim pretendo) me banharei no piscinão. Preconceito? Sim, talvez – e também por imensas e outras razões particulares. Mas não podem me chamar de mentirosa…
    Agora, ir ao Piscinão pra ver gente, andar na areia, olhar de longe e saborear as variedades de idéias que podem surgir ali…, sinceramente, parece-me muito bom.

  3. Dagoberto,
    Lamento que você não tenha tido inteligência suficiente para perceber, mas foi uma postagem contrária a corrente da pobreza romântica. O Vinícius me pediu um texto, aí está. Não recomendo o Piscinão como ponto turístico, também não nego sua importância. Diga-se de passagem, Daboberto, quantas vezes você já o visitou, caríssimo proletário?

    Au revoir!

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