A Cidade de Deus de Agostinho de Hipona a Paulo Lins

Foi o chamado Santo Agostinho que começou esta história quando escreveu faz tempo seu livro Cidade de Deus. Estava aí a primeira Cidade de Deus da história dos homens. Pensava o cristão filósofo numa cidade ideal e, mal sabia ele, que os políticos daqui seriam péssimos em colocar seu plano em prática. Surgiu, em Jacarepaguá, a Cidade de Deus, bem diferente da de Santo Agostinho, mas de mesmo nome, formada por pessoas desalojadas de suas comunidades e atiradas ali, junto aos loucos da Colônia Juliano Moreira e aos leprosos do Curupaiti. Jacarepaguá era um local de desova e, num revés, o feio fez-se belo ainda que sem transformar suas feições: surgiu Paulo Lins, escritor jovem, brilhante, de linhas cruas e poéticas, surge o novo livro Cidade de Deus com o famoso Dadinho é o carvalho o meu nome é Zé Pequeno. Assim, a Cidade de Deus novamente ganhou o mundo, só que através das telas em detrimento das letras de Paulo Lins.

O mundo, na sua tolice de sempre, quis conhecer a verdade por trás da ficção. Hoje, é comum no Rio de Janeiro, turismo que visa subir morros e conhecer favelas. Até o Michael Jackson pintou no meio do povão, embora cheio de seguranças atrás. Porém, a Cidade de Deus está longe de ser lugar de turismo, é uma favela horizontalizada, diferente das outras, com becos sombrios e mistérios em cantos. Pra nós vizinhos, deveria ser local de aprendizado, de cuidado, de atenção, mas é apenas o local de passagem pelo qual rezamos para que cheguemos bem à Barra da Tijuca.

E assim falo com a experiência de quem já se perdeu muitas vezes por cada ruela e por cada história da Cidade de Deus (a do livro).

Antunes
Rio de Janeiro, 13 de maio de 2010

As casinhas de Deus e dos Homens

Visão de um forasteiro que passa

A Praça da Cidade de Deus

Poluição visual e descuido, marcas cotidianas

Uma resposta para “A Cidade de Deus de Agostinho de Hipona a Paulo Lins

  1. Uma vez eu tava indo pra Barra né, aí tava tendo blitz na Cidade de Deus. Eu sei que minha kombi foi entrando por umas ruelas que eu nunca vira na vida… eu fiquei preocupada, mas aí olhei prum lado, pro outro… os moradores eram tão distraídos e calmos que eu pensei: que mal tem, afinal?
    Daí me ‘fiz’ de moradora também…
    é claro que minha mãe nunca soube que eu fiquei uns 25 minutos da minha vida no miolo da CDD, rs.

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