Pães ofertados com as mãos

São tantas mulheres, tantas mãos e tantos tons de laranja. Cestos repletos de pães e empanadas, as índias gritam nas ruas querendo vender. Entre barracas de roupas, poças, carros, mendigos, estão ali, as mulheres, a vender o pão de cada dia. São tantos e logo poucos que voltam a tantos e depois poucos, no pôr e repor do pão, com as índias menores lotando o cesto das mães que vendem, vendem tudo e tornam a repor e a  vender.  Se os provas, são massudos, pesados, duros como a vida das índias que lhes põem as mãos e lhe servem com as mãos e com as mãos pegas e levas a boca tentando-os partir. O pão que chega ao estômago é como a mão fechada em soco, pesada, a aplacar a fome e derrotá-la, sem imaginar que naquele instante começava a dar lugar a uma tremenda dor de barriga.

Antunes
Vitória, 2 de junho de 2010

São tantas mulheres, tantas mãos e tantos tons de laranja...

Cestos repletos de pães e empanadas, as índias gritam nas ruas querendo vender.

Entre barracas de roupas, poças, carros, mendigos, estão ali, as mulheres, a vender o pão de cada dia.

São tantos e logo poucos que voltam a tantos e depois poucos, no pôr e repor do pão

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