Um sujo entre a brancura da cidade

La Ciudad Blanca nació hacia 1622, cuando a um virrey caprichoso que la visitaba se le ocurrió ordenar que todas sus casas fueran pintadas de blanco.
(Edmundo Paz Soldán, “Fábula de la Ciudad Blanca y los graffiti”)

Sucre é também conhecida como a Cidade Branca, não sei o motivo, mas me aproprio deste, de uma cidade também branca, inventada pelo boliviano Edmundo Paz Soldán. Conforme alguém vai se aproximando de Sucre, não se pode imaginar a brancura da cidade. Sucre é o inverso dum ovo, a gema é branca e é ao redor que cabe a cor quente, um laranjado de casinhas pobres de tijolos. Pelas ruas centrais, os mercados, os prédios comerciais, os restaurantes, os museus, as igrejas, todos são brancos, talvez para se ressaltar a pele dos índios, a menina dos olhos, as infinitas cores das roupas. Lá esbarrei com um cão, outrora branco, naquele instante cinza. O cão que em algum momento se confundiu com a cidade e eu, confuso com tudo, tiramos uma foto que nos eternizará sujos diante de Sucre, a Cidade Branca, mas nem tão branca assim.

Antunes
3 de julho de 2010

As periferias de Sucre não possuem nada de branco

A gema de Sucre é clara como a Clara do ovo

A Igreja é Branca

As casas são brancas

A universidade é branca

Mas nem toda a cidade é tão branca assim: eu ao lado dum cão ou um cão ao lado do outro.

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