La Paz de Dios

LA PAZ

Eu juraria por Deus ver uma favela, mas também juraria ver uma espécie de Israel. Sempre ouvira que favelas são chagas no tecido social, no entanto, naquele instante, eu gozava da beleza que via. Daí duas opções: ou não eram chagas ou eu atingi um grau de loucura que sentia prazer em ver aquelas feridas sobre a terra. Era possível que a altitude tivesse se apoderado e enlouquecido minha cabeça, mas o que eu mais temia é que o coração tivesse se apoderado de meu cérebro e simplesmente eu me apaixonara por tal lugar, ainda que fosse uma visão tão distante dos padrões de beleza, mas tão próxima de algum lugar da minha infância, quiçá aquelas casinhas de tijolo me remetessem a imagens de barracos que eu via, ainda menino, ao passar por algum viaduto de Cavalcante ou ao cruzar alguma avenida de Magalhães Bastos.  Eu estava alto. Alto como jamais estivera. Ébrio de altura. Abaixo, La Paz com seus infinitos tijolos, acima, eu, brincando de olhar como Deus, a jurar por mim às verdades que vi.

LA PAZ Y YO

Antunes
Rio de Janeiro, 13 de julho de 2010

2 Respostas para “La Paz de Dios

  1. Confesso meu alto índice de inveja ao ver tal post e tal imagem. Certamente que não são chagas, penso eu.

    Na verdade, se tratando de um lugar tão perto de Deus, talvez haja aí uma inversão; dessas que Deus tanto aprecia, como revelar seu Filho num pobretão pescador, ao invés de um príncipe felpudo.

    Boa inversão: o feio vira belo. A chaga vira a cura…

  2. Caraca, a primeira foto certamente poderia ser um labirinto do minotauro contemporâneo.

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