O fim do infinito andino

Até o infinito tem fim, caro leitor. Infinito é só um nome imponente que dão aos caminhos compridos. Foram 52 textos sobre a Bolívia, 53 com este, que inventam cerca de uma semana de viagem ao fazer companhia à minha esposa. Muitas horas de avião mais infinitas horas de estrada: 16 horas pra lá, 16 horas pra cá e assim desbravamos e fomos desbravados por Santa Cruz, Sucre e La Paz. Voltaremos, sem dúvida: faltou-nos a ilha de Copacabana, o deserto de sal. Quando? Não sabemos, entre esta viagem e a próxima também está um tempo infinito. E viajar é descobrir-se outro em contato com o outro. Há os insones viajantes: eu. Há os que dormem e viajam em sono dentro de outra viagem: minha esposa. Passamos assim noites beirando os Andes. Eu a ver o sol morrer e nascer pelas janelas dos ônibus. Ela a dormir diante das madrugadas. Fomos abraçados pelo frio, queimados pelo sol, subimos e descemos montanhas, tropeçamos em lhamas imaginárias e caímos sujos de volta ao Brasil. Sujos, pois o banho era uma lenda que ficou no passado, só possível em oásis que chamamos de hotéis. Mas até a escassez foi escassa e teve seu fim ao cruzar da fronteira. Brasil. De volta à casa por um tempo infinito.

Antunes
Rio de Janeiro, 18 de agosto de 2010

Veredas bolivianas vista por insones

Alguém a sonhar veredas bolivianas

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