BARROCO

Confuso e não apenas em seu existir, é o Barroco. Em sua definição, inclusive, é confuso. São barrocas as Cidades Históricas de Minas? São e não só. Afinal, não é barroca a poesia de Dirceu, o Tomás Gonzaga. Neoclássica, dizem-lhe. O Rococó é que predomina em Ouro Preto, não é? Barroco, cadê? Aos nossos olhos, diante do confuso, tudo é Barroco. Sábia é a definição popular que não se angustia com teoria: “olhou pro altar e não viu Jesus, só anjo, é Barroco!” Cafajeste é a escola que nos engana quando crianças. Barroco não é só monte de ouro nas paredes, negrinhos apanhando, povo alucinado e tudo terminando em igreja. Barroco vai além das sintaxes invertidas e duras de ler, do rebuscamento grandiloqüente vocabular. O Barroco está mesmo é na nudez do Cristo, na bunda dos anjos, nos lábios pintados da Nossa Senhora que, no século XVIII, já não era virgem há muito tempo! Barroco está na nossa ação libidinosa de entrar e sair de cada igreja a procura de algo novo no meio daquele tudo igual. Barroco é nossa enfermidade de dizer bonito ao feio. Barroco é nosso viver e viajar.

Antunes
Rio de Janeiro, 15 de setembro de 2010

Bem diz o dito popular: barroco é olhar pro altar e Cristo não achar.

Barroco é o decote de Cristo e insinuação de nudez dos anjos

Barroco são as feições orgásmicas das virgens santas.

Barroco são os lábios pintados de batom e os cabelos fugindo do véu.

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