As ladeiras de Ouro Preto

Ora próximo de Deus, ora próximo do Diabo. Talvez seja isso o que as ladeiras de Ouro Preto queiram dizer. Ora próximo de Deus, ora próximo do Diabo. Toda subida carece de uma súplica e faz recordar orações mais ditas pelas avós. Toda descida, um momentâneo alívio, falsa ilusão que o sofrimento acabou. Se não bastasse, as ruas inda são tortas só pra lembrarmos-nos da certeza de Deus. E as pedras que escorregam, as que ferem os pés, as pedras de dor, ora são de Deus, ora são do Diabo. Por estas mesmas ladeiras, subiram inconfidentes, subiram escravos mineiros e escravos de ganho, subiram damas da corte, subiram homens valentes, subiram padeiros, subiram atores e todos eles, mais alguns passos à frente, novamente desceram. Ora próximo de Deus, ora próximo do Diabo.

Antunes
Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2010

4 Respostas para “As ladeiras de Ouro Preto

  1. Aquela moça que desce ali seria inconfidente, escrava mineira, escrava de ganho, dama da corte, homem valente, pedreiro ou ator? Rs.

  2. Seria Marília, se eu fosse o Dirceu.

  3. Ti fofu.
    (Não conheço a história, mas isso deve ser bom, heheheheh)

  4. Ai, meu Deus… que belas comparações!

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