Temor e tremor ao Pão de Açúcar

Prometi que não subiria nunca até ali. E desde quando promessas são feitas para serem cumpridas? Fui até a Praça General Tibúrcio conseguir umas entradas para o bondinho do Pão de Açúcar. Cara a diversão de escrevedor. Fosse o Paulo Coelho, fosse o Manoel Carlos, fosse o Pedro Bial, fosse um bom ou mau escritor, mas fosse famoso, subiria de graça e ainda estenderiam tapete vermelho. Não vou de graça, não há tapete vermelho e, para meu desgosto, acabou a promoção pra cariocas. São 44 Reais de entrada. Carrego comigo minha esposa e meu pai, pois como tenho medo de altura, nunca vou sozinho a lugares altos e duas pessoas são o ideal para revezar este papagaio que pula de ombro em ombro.

O bondinho treme, minhas pernas também. Mas logo o medo se aplaca, a tudo se acostuma na vida, até a viver. A primeira parada é no Morro da Urca onde acontecem caros e bons shows de música, coisa que não é exatamente pra mim, mas talvez seja pra você, leitor. Não chego à beirada alguma, tenho mais medo dos abismos do que da instabilidade do teleférico. Assusta-me a paisagem, pois escrachadamente diz o quanto sou pequeno, insignificante e jovem. Terminarei minha existência antes de tudo que eu vejo ali de cima: baía, prédios, árvores, fortes, aeroporto, morros… num golpe de azar, terminarei minha existência até mesmo antes deste texto.

Minhas pernas tremem, o bondinho também. A segunda viagem leva-me ao morro do Pão de Açúcar. São turistas, muitos turistas, que se impressionam com o que vemos todos os dias. O Rio de Janeiro continua lindo, lindo e igual: o Cristo redentor continua ali, apático, a Baía de Guanabara continua ali, lânguida, as favelas continuam ali, até que mais um Pereira Passos venha removê-las. Cansado de tanta beleza, distraio-me olhando os urubus, animais que só tem de bonito o vôo. São milhares de aves negras que sobrevoam a cidade, pousam no parapeito, rodeiam o Cristo, rodeiam o Pão de Açúcar, sempre em busca de carniça, sabem que o Rio de Janeiro é um prato cheio.

Minhas pernas tremem…

Antunes
Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2011

Praça General Tibúrcio

A entrada para os bondinhos (teleféricos) do Morro da Urca e do Pão de Açúcar

O caminho dos teleféricos

A praia vista da Urca vista do bondinho

O Cristo Redentor visto pela janela do teleférico

Apreensivo

Que mané paisagem...

Quase um metrô - o teleférico anda com 60 pessoas em pé e sem ar-condicionado

É graças a isso que o bondinho se move

Nôla cumprimentando e eu limpando o ouvido do Engenheiro Cristóvão Leite de Castro que idealizou o teleférico do Pão de Açúcar

Nós no Pão de Açúcar

Vista

A paisagem me decifrando

Verificando se o Rio de Janeiro continua mesmo lindo

Pessoas escalam o cartão-postal

O avião, o aeroporto Santos Dumont e a Ponte Rio-Niterói

Pra turista ver - 1

Pra turista ver - 2

Meu pai: "já trabalhei aqui, ó!"

Urubus sobrevoam o Rio de Janeiro

Urubus são aqueles animais que só possuem de bonito o vôo

Uns fazem turismo, outros buscam o que comer

Urubus conversam no Pão de Açúcar

Uma resposta para “Temor e tremor ao Pão de Açúcar

  1. kkkkkkkkkkk’, eu ri muito com o seu texto.
    Mas gostei muito. Concordo com quase tudo o que você disse !!

    Parabéns !

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