Três menções ao samba e ao sambódromo

1 – Samba do Rio

Se “o samba nasceu lá na Bahia” , foi no Rio de Janeiro que ficou bom. E se outros acham que o Rio de Janeiro é o berço do samba, “São Paulo é o túmulo.” Meu xará de Moraes, igualmente carioca, foi o responsável por biografar o samba, com direito a local de nascimento e morte. Os cariocas somos assim: muito pretensiosos, arrogantes, presunçosos quando se trata de futebol e samba, mais ainda de samba. Carnaval para nós, só o do Rio de Janeiro. Embora haja uma onda de aceitação cada vez maior pelo pula-pula atrás dos trioelétricos baianos, ainda é insuportável para os cariocas ver um desfile de escola de samba de São Paulo. Por mais que a comercialização do carnaval esteja em um crescente desenfreado e na passarela do samba se destaquem os nomes televisivos, pelo menos ainda resta um espaço para que em todo comecinho de ano ressuscitem nomes como Cartola, Noel, Paulo da Portela, Jamelão, Silas de Oliveira, Natal…

2 – A Marquês e suas escolas

A Marquês de Sapucaí surgiu nos anos 80 sonhada por duas figuraças geniais e históricas: Oscar Niemeyer e Leonel Brizola. A partir daí, mesmo muito criticada, se converteu na passarela por onde desfilam as tradicionais escolas de samba do Rio de Janeiro, porém, o que mais me impressiona no projeto e quase ninguém sabe é que desfilam por ali, diariamente, centenas de crianças de escolas que não são de samba. Os CIEPS, entretanto, estão sendo retirados da avenida em 2011 pois, devido ao carnaval, os alunos acabam perdendo muitos dias de aula. No lugar deles, entrará na avenida um projeto do EJA. O que importa é que de uma forma ou de outra, a Marquês de Sapucaí continuará abrigando escolas de Samba e de Educação.

3 – O que será do Samba…

O samba é mutável, isso é fato. Dele saiu a Bossa Nova (que seus autores dizem não ser bossa nova e sim samba) e dele saiu o pagode (que seus autores juram de pés juntos não ser pagode e sim samba). Assim como a melodia vai se alterando, as letras também. Ontem, a poesia e a melancolia foram marcas que encontraram em Silas de Oliveira do Império seu maior representante. Hoje, as letras e as melodias vivem os desdobramentos lançados por Martinho da Vila, que popularizou iê-iês e la-la-lás na avenida. E se melodia, letra e música vão mudando, é claro que o mesmo acontece com o formato das escolas. Ontem, elas eram blocos. Hoje, cresceram tanto que passaram a mobilizar milhares de pessoas e milhões de dinheiros. Com Joãozinho Trinta o luxo entrou na avenida e hoje, por mais que neguem, as purpurinas e os penachos de pavão finalmente vão chegando ao fim. Começa a era Paulo Barros, em que efeitos especiais, ilusões de ótica, personagens pop, ganham a avenida e fazem sucesso entre o público e a mídia. Vivemos exatamente uma época excepcional em que coexistem na Marquês de Sapucaí duas expressões muito distintas de escolas de Samba. O modelo Mangueira: tradicional de extrema qualidade, em que o histórico da escola, seus mitos e o samba no pé são muito valorizados. E o modelo Unidos da Tijuca-Paulo Barros: extremamente agradável visualmente, pós-moderno e aclamado por gritos de campeão por toda a Avenida. O embate entre estes dois modelos forjará as escolas de samba de amanhã, gostem os críticos ou não, é um movimento que não se pode mais frear.

Antunes
Rio de Janeiro, 20 de março de 2011

Casal verde e rosa

Éric e Nô levam um banho de espuma na Sapucaí (olha a cara de contente do Éric)

Após a saída de cada escola, a famosa presença dos garis que deixam a Sapucaí limpinha

A eterna águia da Portela

Paulo Barros levou uma gigantesca barca de Caronte para a avenida

Ogum, Oxossi e Iemanjá saem da Avenida e dão lugar a Harry Potter no carnaval de Paulo Barros

O sambódromo se enche de verde e rosa pra receber a Mangueira

Chuva e orações recebem a Mangueira na Avenida

Nôla e eu, aguardamos a verde e rosa até às seis da manhã

"Mangueira, teu cenário é uma beleza."

E enquanto isto, meu primo Arthur saía de diretor de ala da Mangueira.... vai entender!

5 Respostas para “Três menções ao samba e ao sambódromo

  1. Belas fotos, casal verde e rosa!
    Aí vai um samba paulista pra vocês: http://www.youtube.com/watch?v=BsWivnneD6A&playnext=1&list=PLC041F90F5B8242CA
    Beijos!

  2. Obrigado pela parte que me toca, como diria Vitinho Avassalador: “Sou Foda”. Referente as inovações, a Unidos da Tijuca sempre tem dado banho. O rei ganhou esse ano. A Mangueira com os Carnavelescos Mauro Quintaes e Wagner Gonçalves deu um “boom” com a tecnologia usada no telão (que não foi só da Mangueira, mas saiu do tradicional usual ) e pela mega-paradona da bateria, que mecheu com o coração de quem via aquele SHOW e participava do desfile. Esse será realmente o futuro das Escolas de Samba.

  3. As mudanças da tradição do samba carioca (e também do próprio carnaval) são iguais a formigas, que se expremem pela terra, cavam, e quando a gente vê já estão no nosso pé, mordendo ou só passeando.

    E de fato, desfile de São Paulo, até pra um leigo como eu, não dá.

  4. Nossa! Vou poupá-lo da minha “rasgação de seda”: OBRIGADO!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s