Desde que a Lapa é Lapa é assim

por Emily Aparecida – PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Hoje quero mandar um alô especial para aqueles que murcham de tristeza quando vêem os primeiros raios de sol tocando as calçadas da gloriosa Lapa. Essa vai pra você que viveu vidas inteiras em uma só madrugada. Aos que se entregam sem preconceitos a uma noite de puro ecletismo musical e que ficam zangados ao clarear do dia. A todos que também já tiveram seus corações partidos numa gafieira e que foram obrigados a praticar a solidão andando por aquelas ruas de arquitetura delicada sob o zumbido de gargalhadas e estalos de copos. Enfim, a todos que guardam memórias inesquecíveis desse bairro que desperta emoções, paixões e felicidade em todos que experimentam de seus ares.

A Lapa é um verdadeiro parque de diversões para os amantes da boa música. Tem de tudo: Rock, pop, samba, funk, forro, choro, sertanejo, hip hop… todos os ritmos compartilhando o mesmo espaço, o mesmo público e o melhor, tudo em harmonia. Mas se voltarmos um pouquinho no tempo veremos que nem sempre foi assim. A Lapa também já viveu períodos de escuridão. A perseguição do Estado Varguista à malandragem e à prostituição calou por alguns anos o grave dos surdos e as rodas de malandro daquele lugar. Foi assim até o final da década de 90, quando o movimento de jovens chorões assoprou a brasa da boêmia, fazendo a lapa renascer das cinzas. É, seu Nelson! Desculpe, mas terei que discordar… a Lapa que já foi ainda é¹!

“A Lapa de hoje e a Lapa de outrora”² fazem pulsar os corações de seus freqüentadores a cada madrugada. O passado e o presente sambam na mesma cadência com perfeição. “Os famosos arcos, os belos mosteiros são relíquias deste bairro” que ainda mantém vivos aqueles personagens escondidos nas letras dos sambas chorados nas esquinas da década de 40. Tenho certeza que a dama do cabaré³, que tantas vezes tirou o sono de Noel, continua a vagar por aquelas ruas. Wilson Batista e sua flor4 devem se reunir todo sábado na gafieira para dançar ao som da saudosa Orquestra


1 – Rainha da Lapa Nelson Gonçalves -– Referência ao trecho “Quando a Lapa era Lapa”

2 – Lapa em três tempos – Paulinho da Viola

3 – Dama do Cabaré – Noel Rosa

4 – Flor da Lapa – Wilson Batista

Emily Aparecida
Rio de Janeiro, 11 de fevereiro de 2011

Uma resposta para “Desde que a Lapa é Lapa é assim

  1. Vou já pro YouTube, ouvir as músicas do texto. Beijos!

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