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A fonte da minha juventude

Olha, Marília,
Na fonte pura
A tua alvura,
A tua boca,
E a compostura
Das mais feições.”
(Antônio Gonzaga. Marília de Dirceu.)

Não queria voltar no tempo, não. Se voltasse, talvez nem conseguisse sair da fonte, morresse afogado, pois sequer tenho ainda muito tempo pra voltar. Queria apenas que aquela fonte fosse a fonte de minha juventude, a fonte de agora, que parasse o tempo. Que quando eu mergulhasse encontrasse a sua alvura, a sua boca a encontrar com a minha boca. Queria que, ao mergulhar no chafariz de São José, não encontrasse o meu reflexo, mas sim o teu. Não queria as águas de Narciso, queria só as de Afrodite, nada mais, não.

Antunes
Rio de Janeiro, 2 de janeiro de 2010

Nós diante do chafariz de São José