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O Profeta Louco

por Rogerio – PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

De profeta e de louco, Gentileza tinha um pouco. Louco que falava de paz e de amorrr. Profeta que andava na rua vestido de louco. Quem deste mundo, senão um louco, falaria de paz e de amorrr com tanta persistência? Quem neste mundo, senão um profeta, escreveria em pedras seus mandamentos? Palavras de gentileza em verde e amarelo. Desejo insano de harmonia, botando medo do capeta, entregando ao demo o capital maldito que emporcalha a natureza humana. Quem, senão um louco, se diria um profeta? Quem, senão um profeta, ficaria louco com tanta iniquidade?

Rogerio
Rio de Janeiro, 1 de maio de 2010

Floralis

Dizem que toda cidade é anterior a ela: pois ela jovem e moderna e os que a envolvem antigos e cinzas. Prefiro crer que ela é anterior a cidade e toda cidade nasceu ao seu redor, unicamente para lhe espreitar. Não existiria Buenos Aires sem sua beleza imponente de flor de metal. Tudo envelheceu antes, pois não soube se abrir ao sol e se fechar à chuva, porque estáticos ficaram no tempo. A flor, nascida de um grão de metal, cresceu frondosa, a receber visitas de mulheres que suspiram e respiram seus ares de eternidade.

Flor de metal, não quero te arrancar para que enfeites os cabelos de meu amor. Quero te fixar ainda mais sobre as águas, alimentar as tuas raízes de fios de aço para que perdures.

E colocarei minha vida sobre ti para que ambas se unam e, juntas, sejam paisagem.

Antunes

Rio de Janeiro, 11 de janeiro de 2010

A Floralis Genérica

Uma flor de metal e uma beija-flor humana