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La Paz de Dios

LA PAZ

Eu juraria por Deus ver uma favela, mas também juraria ver uma espécie de Israel. Sempre ouvira que favelas são chagas no tecido social, no entanto, naquele instante, eu gozava da beleza que via. Daí duas opções: ou não eram chagas ou eu atingi um grau de loucura que sentia prazer em ver aquelas feridas sobre a terra. Era possível que a altitude tivesse se apoderado e enlouquecido minha cabeça, mas o que eu mais temia é que o coração tivesse se apoderado de meu cérebro e simplesmente eu me apaixonara por tal lugar, ainda que fosse uma visão tão distante dos padrões de beleza, mas tão próxima de algum lugar da minha infância, quiçá aquelas casinhas de tijolo me remetessem a imagens de barracos que eu via, ainda menino, ao passar por algum viaduto de Cavalcante ou ao cruzar alguma avenida de Magalhães Bastos.  Eu estava alto. Alto como jamais estivera. Ébrio de altura. Abaixo, La Paz com seus infinitos tijolos, acima, eu, brincando de olhar como Deus, a jurar por mim às verdades que vi.

LA PAZ Y YO

Antunes
Rio de Janeiro, 13 de julho de 2010

OS ANDES

Finalmente os Andes, gigantescos Andes. Depois de passar pelos vales bolivianos a recompensa: olhar a Cordilheira de frente. O Sol cansado do verde, qual artista, contribui com suas tintas laranja. O Frio, cansado do verde, clareia os picos mais altos. Porém, ainda assim há verde, pois os Andes são intermináveis, guarda espaço para todas as cores. Da janela do ônibus vi os Andes pela primeira vez e jamais vi a última, pois os Andes são tão imensos, tão infinitos, que me perseguem desde que os encontrei.

Antunes
Rio de Janeiro, 7 de julho de 2002

Com o Sol, surge a primeira ponta dos Andes

O sol cansado do verde, qual artista, contribui com suas tintas laranja.

O frio, cansado do verde, clareia os picos mais altos.

Illimani, área gelada dos Andes

Os Andes nos seguem por toda a estrada

Os Andes Infinitos