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Yesterday

Ontem: é um possível começo. Neste texto, acabei de chegar a Belém, sendo assim, ontem estava em Aracaju. Num ontem de algum outro ontem, recebi a notícia que iria a Sergipe em substituição à minha gerente. Liga-me Cynara, sergipana responsável pelo treinamento, pedindo para falar com a Luciana. Pois não está, lhe informei. Anote, então, meu e-mail. E eu anotei: Sinara. Quando fui confirmar, me disse: Não! É com cê de casa e ipsulone de yesterday. Corrigi. Pouco tempo depois, fui para Aracaju, onde conheci Cynara e o trabalho educacional realizado pela Vale.

Parece que foi tudo bem. Quando o treinamento tornou-se ontem, minha gerente recebeu o e-mail abaixo:

Boa tarde Luciana!

Estou enviando este e-mail para parabenizar o Vínícius Antunes pela brilhante atuação no curso de multiplicadores em Diálogo Comportamental, feito aqui, na Vale/GEFEW no dia 16/09.

Escrevo em nome de todos os participantes que ficaram muito satisfeitos com a forma com que o Vinícius conduziu o curso. Trata-se de um excelente profissional, que possui muito carisma, conhecimento e um grande potencial para lidar com pessoas, por isso ficamos muito felizes em tê-lo como instrutor.

Parabéns ao Senac por ter profissionais de alta qualidade e parabéns a você Vinícius!! Volte sempre!!

Um grande abraço,

Cynara.

Exagerados sergipanos, mal sabem que ontem aprendi muito mais com Sergipe do que Sergipe aprendeu comigo.

Antunes – 20 de outubro de 2009 – Parauapebas.

MBA em aeroportuária

Professora: TAM

Carga horária: 7 horas

Local: Aracaju, Recife, Fortaleza, São Luís e Belém.

Objetivo: Estudar os aeroportos da região Nordeste e Norte.

Valor: Bolsa adquirida através do SENAC-RJ.

Ementa do curso:

O discente adquirirá habilidades em embarque e desembarque de aviões, enfrentamento de turbulências, memorização dos avisos de segurança, domínio de procedimentos de queda em terra, queda em água e incêndio, utilização de bagageiro e especialização em paisagens aéreas diurnas e noturnas.

Relatório de conclusão do curso do sr. Antunes:

Dedicatória

Dedico este trabalho ao meu pai que pagou meus estudos, à minha mãe que lava minha roupa, à minha irmã porque também é parente próximo e à minha noiva que me atura todo dia e ainda lê meu blog e diz que é bom.

Epígrafe

É um pássaro? É um avião? Não, é o Superman
(Revistinha do Superman)

Além dos olhos, teve-se como orientador deste trabalho o Airbus A320 da TAM que realizou o vôo número 3892 cuja rota foi Aracaju-Manaus, porém, para esta investigação, far-se-á necessário tão-somente acompanhá-lo até Belém, podendo ser a rota completa um possível tema para um futuro doutoramento.

O aeroporto de Aracaju apresenta para seus passageiros uma bela vista na chegada e não tão bela na saída, o que, embasadamente, pode-se verificar que não o diminui. Cito: “a primeira impressão é a que fica.” (POPULAR, Dito).

Recife possui um aeroporto rodeado por pequenas casas e excelente segurança. Pôde-se constatar a atuação dos oficiais de segurança no combate a um terrorista português. Lê-se abaixo o testemunho colhido a partir do comandante da aeronave:

Senhoras e senhores, informamos que permaneceremos mais alguns minutos parados porque um passageiro deixou sua mala no avião e não embarcou. Segundo as normas de segurança dos aeroportos brasileiros, qualquer bagagem só pode ser transportada se acompanhada de seu dono. Desculpe-nos o transtorno e obrigado.

Em Fortaleza constatou-se que, como em outras regiões, o céu, à noite, escurece, o que dificulta comentários paisagísticos daqui por diante. Passa-se, então, a disponibilizar dados que comprovam a corrente teórica que defende que os avião realmente voam e rápido. Segundo o comandante que estava a bordo, ao iniciar o processo de aterrissagem, o avião estava  a 7.898 metros e a uma velocidade de 743 km.

Como já mencionado anteriormente, devido a dificuldades fisiológicas, pois diferente dos gatos não fui projetado para ver no escuro, passa-se a listar alguns pontos descobertos através desta investigação tanto empírica quanto teórica:

1 – A descarga do vaso sanitário de um avião faz mais barulho que suas turbinas.

2 – É possível aprender inglês no avião associando as mensagens dadas em português e repetidas em língua britânica.

3 – Todas as aeromoças são bonitas, inclusive as feias.

Conclui-se e constata-se, assim,  graças ao empirismo e ao olhar exclusivamente científico e imparcial, após 7 horas de atuação em campo, ou melhor, em ar, que voar é um tanto enfadonho quando não se é um pássaro.

Antunes – Parauapebas – 19 de setembro de 2009

Aeroporto de Recife - ainda de dia.

Aeroporto de Recife - ainda de dia.

Aeroporto de Fortaleza - de noite

Aeroporto de Fortaleza - de noite

Mascarados estilo ficção científica limpam o avião.

Mascarados estilo ficção científica limpam o avião.

A privada do avião é mais barulhenta que sua turbina.

A privada do avião é mais barulhenta que sua turbina.

Uma breve saudade

O avião vai subindo, Aracaju vai se empequenecendo ao som do de Moraes que vai se declarando o branco mais preto do Brasil. O avião sobe, dá saudade deste lugar tão acolhedor, mas o medo do avião é mais forte. Breve saudade: logo me fez ver que era passageira paixão. O medo é maior. Foram três dias: no terceiro ascendo novamente aos céus, rumo a Belém. Penso que nunca pensei que existisse uma cidade tão caju a ponto de levá-lo no nome. Há caju por todos os lugares: suas lixeiras possuem forma de caju, seus monumentos são grandes cajus. Parece que há um deus Caju a soprar um hálito doce, com cica, sobre a cidade. Os ônibus cheiram a caju, as moças mascam caju, em cada rua habitam vendedores de lindos e baratinhos cajus, como se fossem de brincar, e não são? São daqueles de brincar na boca, que nos vão aveludando o paladar.

Aracaju, me lembrarei de tua areia morena, tuas águas salgadas e também morenas. Esquecida Aracaju, não te esquecerei até esquecê-la. Guardarei comigo tua gente acolhedora, professora de humanidades. Ficará uma breve saudade: ou voltarei um dia, ou me esquecerei de ti, é como fazem os homens.

Antunes – Saindo de Aracaju, rumo a Belém – 17 de setembro de 2009.

O mercado de Aracaju

Estou num lugar incrível”. Assim que cheguei ao Mercado de Aracaju mandei esta mensagem por SMS pra minha noiva. Já entrei em Feira de São Cristóvão, Mercadão de Madureira, Camelódromo da Uruguaiana e da 25 de Março, mas mesmo assim meus olhos custaram a crer. Sou apaixonado por castanha. Imagine um saco imenso, cheio delas, que nem daria pra levar na viagem. Pois é, custa apenas 15 Reais. Queria nadar-lhes como um Tio Patinhas nada em suas moedas… Meus olhos arregalavam-se a cada esquina do mercado. Carnes de boi e porco em exposição, abertas sobre bancadas ao vento, livres da vigilância sanitária. Camarões, caranguejos, peixes aromatizam parte do lugar. Há que se driblar perigosas poças. E o material mais rico do mercado é aquela gente, rindo sabe-se lá de que, da desgraça, talvez. Um povo como mercadores d’algum deserto, ávido por clientes, atencioso. Me seguiam com os olhos. Sou um estrangeiro em minha pátria, colonizador fazendo-se de vítima: Donde o sinhô é?, desculpe perguntá. Do Rio. Aaaaaaah! Em frente ao mercado, há um jumento estacionado em local proibido. Ao lado, há um Vasco que não é da Gama. Dentro, há tanta gente, tanto caju, tanta castanha, tanta música, tantos cheiros e eu, só, a me perguntar como não conhecia essa gente que é tanta e nos dizem que é tão pouca.

Antunes – no aeroporto de Aracaju – 17 de setembro de 2009.

O mercado de Aracaju visto de cima, por Deus.

O mercado de Aracaju visto de cima, por Deus.

Carnes ao vento, ivres da vigilância sanitária.

Carnes ao vento, livres da vigilância sanitária.

Jumento parado em local proibido.

Jumento parado em local proibido.

O Vasco que não é da Gama.

O Vasco que não é da Gama.

Meia – areia

Aracaju. Escrevo sentado em um restaurantezinho miúdo como a cidade, chamado Encanto do Mar, frente à praia de Atalaia, diga-se de passagem, linda praia de Atalaia. Logo que cheguei ao hotel, deixei as malas e mal vi o quarto. Fugi, ainda engomadinho, a desvendar algum mistério daqui. Aprendi, ainda no ponto, que os ônibus de Aracaju demoram eternidades e são conhecidos por trajetórias e não por números. Cheguei à praia de Atalaia e encontrei de cara o que seja, talvez, o monumento mais famoso de Sergipe, parece um M do McDonalds, só que azul. Porém, seu êxito não está em si, mas sim na praia de infindável faixa de areia que esconde por trás. Praia morena que o mar alisa forte, mas sem intuito de machucar. Eu de sapatos e a praia a convidar. Lembrei de minha mãe falando que eu tinha poucas meias, que cuidasse delas. Mas a areia estava a chamar. Lembrei de minha mãe a arrumar a mala e a dizer te cuida como quem diz não vai aprontar para o filho bebê. Lembrei de minha mãe e via o mar. Lembrei de minha mãe e a areia dizia descalça-te. Lembrei de minha mãe a dizer divirta-te. Tirei os sapatos, lambuzei-me na areia. Chegara a Aracaju.

Antunes – Aracaju – 15 de setembro de 2009 – 18:20

Praia do Atalaia

Praia do Atalaia

Praia do Atalaia

Praia do Atalaia