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A Lagoa, por minha irmã

por Betona – PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

Quando recebi o convite para escrever sobre os lugares conhecidos do Rio de Janeiro, foram oferecidas a mim algumas das ditas maravilhas do nosso estado, como o Cristo e o Pão de Açúcar. Eu, imediatamente, disse: “Não conheço!”. E, por mais incrível que pareça, é verdade! Aliás, como lembrou bem meu amigo Vinícius, até pouco tempo atrás, antes de o Fundão entrar na minha vida, não sabia onde era, sequer, a Presidente Vargas, imagine esses tais de Cristo e de bondinho! Só mesmo pela televisão! Continuando a oferta de lugares supostamente conhecidos, veio a Lagoa: “Ah, essa eu já passei em frente!”, disse eu num tom de alívio, como se me livrasse de um fardo muito pesado de má conhecedora do Rio.

Na verdade, hoje faz exatamente um ano do dia em que passei na Lagoa pela primeira vez. Lembro que chovia um mundo inteiro e eu precisava chegar ao meu baile de formatura em São Conrado. Se pra conseguir sair de São Gonçalo já foi um sacrifício, imagine a aventura por que passei junto a minha família para chegar nesse outro Santo … um tal de Conrado, em que eu também, só pra variar, nunca tinha ido! Em meio a toda essa história, só me ficou na cabeça a Lagoa, que emendava com o asfalto e formava um grande mar; tudo bem que meio parado, mas ainda assim bem grande! Nunca que ia desconfiar ser a tão famosa Lagoa Rodrigo de Freitas. Só descobri porque perguntei ao meu tio onde estávamos e ele, por sua vez, me situou. Confesso que fiquei um pouco decepcionada, mas com o passar do tempo achei emocionante… dias depois os pedalinhos foram parar no meio da pista em que eu havia estado devido a forte chuva que parou todo o Rio de Janeiro.

Por fim, faltou só o início. Ainda que nunca tivesse ido à Lagoa, sabia que, no Natal, se montava ali uma grande árvore, a qual recebia festa de inauguração e tudo! Foi numa dessas épocas natalinas, em uma ida a um shopping em Niterói, que saiu, da boca de minha irmã, famosa por suas pérolas raras na língua portuguesa, a seguinte frase: “Olha a árvore de natal da Lagoa!”. Não me agüentei, estávamos em frente à Baía de Guanabara, como poderia, minha irmã, estar vendo a ilustre árvore? Parei, então, para analisar do que se tratava o objeto identificado por minha irmãzinha. Era uma plataforma que tinha acabado de acender suas luzes, cerca de cinco ou seis, no máximo, pois já estava anoitecendo!

Continuo sem conhecer a Lagoa intimamente, tampouco em festas natalinas, mas creio que, se eu chegar até lá em um período em que a árvore esteja montada, não vou me decepcionar, pois deve ser bem mais iluminada do que a da Baía de Guanabara!

Betona
Alcântara, 6 de março de 2011

E depois do texto, eis que a Betona voltou à Lagoa e tirou fotos pra compartilhar conosco!

A Lagoa, vista dum pedalinho

Betona e dom Felipo na Lagoa Rodrigo de Freitas

Lagoa Rodrigo de Freitas

LAGOA

Cheguei a pensar que fosse um MAR…
_______Quando pequeno, se parasse ali
______________achava que era a orla de Copacabana, Ipanema, Leblon
______________achava que era a Enseada
______________achava que era a Baía de Guanabara.

A Lagoa me guardava mistérios como aqueles MONSTROS MARINHOS
de fim da Idade Média.

Eu queria sonhar que nossa Lagoa guardava um monstro que nem o do Lago Ness.

O Rio de Janeiro não é especialista em Godzillas.
_______As crianças passeiam de pedalinho na Lagoa.
_______As crianças andam de velotrol à beira da Lagoa.
_______As crianças patinam à beira da Lagoa.
E nenhum monstro marinho, nenhum tubarão, nenhum alligator

Fosse nos Estados Unidos, fosse no Japão…
_______Mas no Brasil é esta paz no que diz respeito à monstros.
_______Nossos monstros são tão outros.

Minha irmã – aí eu já era velho – vinha me contar histórias de uma ÁRVORE DE NATAL iluminada. Nosso Rio de Janeiro é sempre essa paz natalina de ausência de tudo. Essa paz de LAGOA.

Antunes
Rio de Janeiro, 18 de abril de 2011

Atrás das folhas, a Lagoa.

Sobrevoam a Lagoa

Dentro da Lagoa, dentro da canoa

Cristo visto da Lagoa

Pássaros pousados na árvore

e pássaros pousados no barco

Grande como um poste