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A maior e mais verdadeira obra de arte de Ouro Preto

É lixo o que fez o Aleijadinho. Ataíde não passa de um discípulo de quinta. O verdadeiro mestre de Ouro Preto não sei quem é, mas é ele quem reverencio. Fica atrás de uma grossa parede, talvez também seja aleijado e talvez também se chame Ataíde, mas sua obra é muito maior. Sua obra não fica exposta em museu algum, muito menos em igreja, talvez sua obra seja, na verdade, o maior dos pecados – não me cabe agora julgar. Tal arte fica à cozinha e também às prateleiras do Cantinho do Pão de Queijo, bem no Centro de Ouro Preto. Pois não adianta dizer-me da Igreja de São Francisco, nem da Casa dos Contos ou do Museu dos Inconfidentes: o que mata a fome do homem é a arte da culinária. Nunca comi pão de queijo igual. Faço críticas veementes à prefeitura de Ouro Preto por não divulgar este pão de queijo como patrimônio cultural. Se não bastasse ser servido puro, há como aprimorar a perfeição: o pão de queijo pode ser servido recheado e, recomendo, recheado de queijo minas. Mas, não é qualquer queijo minas, não é aquele monte de farinha com água que estamos acostumados a comer no Rio de Janeiro e em São Paulo, é queijo de verdade. Não há combinação de artes, não há Aleijadinho e mestre Ataíde somados, há apenas o pão de queijo recheado com queijo minas e confesso que voltarei a Ouro Preto e desprezarei todo aquele lixo barroco, virarei o rosto para a montoeira de anjos, ignorarei Tiradentes, seus cúmplices e seu traidor, voltarei a Ouro Preto apenas para comer pão de queijo e apreciar esta arte de raiz tão mineira.

Antunes
Rio de Janeiro, 7 de outubro de 2010

Aleijadinho não faria desses

É possível aprimorar o que já é perfeito? Queijo e linguiça.

A maravilhosa fábrica de pães de queijo

A Igreja de São Francisco e as igrejas de São Francisco que nada têm de São Francisco

Perdão senhor por não amar-vos
(Carlos Drummond de Andrade, São Francisco de Asis)

A minha ignorância é clara, leitor. Se é que há ignorância clara, pois sempre que se fala em ignorância se faz associação às trevas. É o conhecimento que está ligado à clareza. Porém, pouco me importa: é clara a minha ignorância – reafirmo. O que ignoro é a resposta à seguinte pergunta: Por que São Francisco, santo ligado ao voto de pobreza, lhe tem dedicadas igrejas e catedrais tão suntuosas ao redor do mundo? Cresci ouvindo os versos do meu xará de Morais “Lá vai São Francisco pelo caminho, de pés descalços, tão pobrezinho.” E me deparo, agora que virei um burro velho, com a Igreja de São Francisco em Évora, com a Basílica de São Francisco em Umbria, como o Convento de São Francisco em Lima etc. etc. etc.. Se fosse uma crítica, este texto poderia ser de uma revolta juvenil. Entretanto, falo despojado de revolta. O que me move é apenas uma dúvida quase existencial.

Cheguei a Ouro Preto e me deparei novamente com o fato: uma das mais ricas construções dentre todas as construções das cidades históricas foi feita ao Santo Francisco. Se eu fosse devoto de teorias de conspiração, acharia que o Vaticano faz estas coisas planejadamente só pra ferrar com o santinho dos pés descalços. Sentado no banco da igreja, tirei umas fotos escondidamente (pois é proibido tirar foto de dentro), enquanto imaginava São Chico entrando em sua própria igreja, olhando as esculturas do Aleijado, as pinturas do Ataíde, aquele ouro, aquelas tumbas no chão… enlouqueceria, feito um Hamleto. Imaginei o Santo Italiano tal qual um amaneirado personagem shakespereano, tomando um crânio em mãos e perguntando num trôpego inglês: “to be, or not to be: that’s the question” E temi meus pensamentos e minhas loucuras, pois por pensar no santo louco, louco fiquei. E não é a loucura tão forte que é capaz de converter a idéia em realidade? É.

Antunes
Rio de Janeiro, 5 de outubro de 2010

O São Hamlet Francisco: to be or not tobe that’s the question

Diante da Igreja de São Francisco em Ouro Preto

A foto proibida que tirei do teto da Igreja de São Francisco feito pelo mestre Ataíde


Leitura do poema São Francisco de Carlos Drummond de Andrade diante da Igreja de São Francisco em Ouro Preto.


Nôla Farias narra o cenário que envolve a Igreja de São Francisco.