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Superstições, coincidências e transtornos obsessivos compulsivos ao avião (BH)

Começo citando, pois este texto não sobreviveria sem isto:

Logo refletiu que a realidade não costuma coincidir com as previsões; com lógica perversa inferiu que prever um detalhe circunstancial é impedir que este aconteça.” (BORGES – meu autor favorito neste segundo – no conto Milagre Secreto).

Lembrei-me desta fala de Borges em dois textos, neste que você lê agora e no próximo que publicarei aqui e começarei exatamente da mesma maneira. Este se deve ao número do vôo em que eu embarquei: 1747, repito por extenso: mil setecentos e quarenta e sete, ou, como habitual, um sete quatro sete. Logo, pensei: ferrou! O número é trágico, não me soou bem, trouxe-me memórias estranhas. Então, seguindo a lógica de Borges, previ: CAIRÁ! Pensei isto exatamente para que não caísse, pois como todas as previsões são falsas, o Universo, Deus, o Destino, me contrariariam e manteriam o avião no ar.

Vinham à cabeça combinações exóticas como as que a Rede Globo faz para que todos os números relacionados ao Zagalo dêem treze. Por exemplo: vôo 1747. 7+7=14-1=13+4=17-4(quantidade de algarismos presentes no número do vôo)=13. Ou seja, o resultado final das contas são sempre manipulados para acabarem num número macabro. Macabro no meu ponto de vista, pois não é a mesma coisa para o PT e para o Zagalo (a Globo nunca perguntou pro Zagalo em que número ele vota, o PT bem que poderia usá-lo como “”””garoto”””” propaganda).

Agora, explico os dois principais fatores que me assustavam além-13:

1747 possui como três primeiros números os mesmos do ônibus que foi seqüestrado no Rio de Janeiro em 12 de janeiro de 2000 e resultou em morte.

1747 é um número que nos remete imediatamente ao avião da Air France que caiu neste ano: 474.

Por fim, digo que minhas previsões foram muito úteis e que Borges estava certo, justamente por ser óbvio que cairia, o avião não caiu. 1747 continua sendo um vôo noturno que vai de BH ao Rio e que me trouxe de volta, tranqüilo…

Antunes
Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 2009.

Belo Horizonte por trás dos muros

Voltei a BH. Viagem bem distinta da outra, embora se repita o local de trabalho e de hospedagem.  Outrora, a cidade foi-me um pátio aberto a descobertas, agora é uma prisão de luxo. Vejo o sol nascer, cotidianamente, por trás das grades. O quarto do hotel é gélido, a sala de aula também, embora seja o calor que reine do lado de fora. Vivo no império do ar-condicionado e eu não sei se tenho prazer em ser seu súdito. Passo, todo dia, pela Praça da Estação, mas não me toca, sinto-me no quarto, encarcerado pelo laptop, pelo trabalho, pelo cansaço. BH, parece que já te conheci e não quero mais conhecer-te. Tuas ruas me chamam? Se chamam, não ouço. BH, deixa-me aqui no meu quarto escuro, neste frio de cemitério, pois esta noite eu morri.

Antunes
Belo Horizonte, 24 de novembro de 2009

BH por entre a janela

O frio quarto do hotel