Arquivo da tag: Buenos Aires

Los diez mejores y los diez peores

Depois que Emanoelle e eu desbravamos Buenos Aires resolvemos fazer um clássico, tosco, porém emocionante TOP 10. Confira a lista abaixo (os melhores estão separados por opinião dela e dele, os piores foram eleitos em conjunto)

TOP 10 – melhores de Buenos Aires

Ella – primero las damas

1-Floralis
2-Caminito
3-Feria de la plaza francia
4-Dulce de leche
5-MALBA
6-Calle Florida
7-Helados
8-Plazas (incluso la de Mayo)
9-Supermercados
10-Zoo

Él – después los caballeros

1-Caminito
2-Floralis
3-Zoo
4-Dulce de leche
5-Bombonera
6-Plazas (incluso la de Mayo)
7-MALBA
8-Ateneo
9-Empanadas
10-Precio de los libros de Borges

TOP 10 – Piores de Buenos Aires

Por los dos (ella y él)

1 – Notas falsas
2 – Mosquitos
3 – Filme do cinema 3D do Zoo
4 – Proibição de tirar fotos no MALBA
5 – Vendedores de loja de couro
6 – Cocô de cachorro nas calçadas
7 – Centro Cultural Borges
8 – Molho das massas vendido separadamente
9 – As carnes estranhas
10 – Senhoras de biquíni nas praças

Antunes e Nôla Farias
Janeiro de 2010

Nove rainhas e trinta pesos – o caso das notas falsas

Estão por toda a parte, só que não os vemos: ladrões, batedores, bandidos, criminosos, larápios, enganadores, malandros, seteuns, mãos-leves… Esta frase com que começo, é muito próxima da que diz Ricardo Darín no miolo do filme Nueve Reinas. E, na Argentina, quiçá seja mesmo assim. Não os vi, mas acredito que estavam ali, prontos para passarem a perna em alguém, principalmente se for um turista bobo-alegre.  Inclusive, o guia de viagens da Abril, recomenda: em Buenos Aires, cuida-te das notas falsas.

Foi assim: o casal de recém-casados recheado de parrillada e fugido dos mosquitos portenhos tombou pra dentro de um taxi em que o motorista era um vovozinho quase Noel. Foram, no silêncio daquele olhar que os espreitava pelo retrovisor, até a porta do hotel. Na despedida, pagam com 50 pesos. Agradeceram e receberam 30 de cambio. No dia seguinte, foram ao mercado, pagaram com as notas que haviam recebido e acabaram sob os olhares de todos: !estos billetes son falsos, señores!

Antes de ir para Buenos Aires, assista infinitas vezes o filme de Fabián Bielinsky, Nove Rainhas. Mas não assista a ponto de acostumar e sim de continuar estranhando. Vá atento, acredite nas histórias mais mirabolantes, desconfie, inclusive, de todos os vovôs e vovós (para isso dê uma olhada no filme Elsa e Fred no qual está uma argentina embustera), ande apenas com dinheiro trocado e de baixo valor. Porém, se você quer histórias para contar: deixe-se enganar, arrisque. Afinal, agradeço ao amado vovô-taxista-ladrão, se não fosse ele, eu não teria esta experiência para compartilhar. Nem foi tão caro, esta crônica custou-me 15 Reais.

Antunes
5 de fevereiro de 2009

Foto dos Pesos falsos

Outro lado dos pesos falsos

Puerto Madero – embarque ao futuro

Un ciego riachuelo de aguas barrosas, infamado de curtiembres y basuras” (BORGES, Riachuelo)

Brincar de Mãe Diná, dar uma de Nostradamus: prever! Puerto Madero parece ser o futuro, a saída, para as cidades com suas baías e rios fétidos e poluídos. Pegue um esgoto, dê uma disfarçada no cheiro, coloque umas pontes modernas e o envolva com restaurantes: eis a receita. Imagino a Praça XV, daqui a alguns anos, assim. Na Europa, ouço dizer, nunca vi, tudo é assim. Falam que Veneza nada mais é do que monte de águas podres vestidas de charmosas e que o rio Sena é quase um Tietê, porém, repare no glamour das frases: andei de balsa em Veneza (romantismo),  andei de barca na baía de Guanabara (sofrimento); andei às margens do Sena (parece verso), andei às margens do Tietê (parece piada). O problema é que estas mudanças nunca envolvem a cidade como um todo. Sempre existe aquela velha eleição de quais serão os locais favorecidos e os outros que se danem. Se vamos a Puerto Madero vemos a turistada tirando fotos e – se bobiar – há até quem sonhe em mergulhar naquelas águas podres – afinal, é glamoroso comer à beira delas. Porém, em Palermo, as águas são as mesmas e não houve uma limpezinha que fosse. O fedor está lá, a sujeira bem à vista e ninguém ousa tirar uma fotinho sequer – ninguém sendo eu a exceção, fui lá e bati, afinal, os feios também querem sair na foto.

Antunes
Paragominas, 8 de fevereiro de 2010

Riachuelo em Palerno - a parte fétida da história

Puerto Madero - a parte rica da história

Mi mujer en puente de la mujer (puerto madero)

¿Dónde están los otros?

Deve ser uma questão que passa pela cabeça de todo mundo que vai a Buenos Aires: ¿Dónde están los negritos? Se repararmos bem, a cidade com suas tendências italianas, diferente do Brasil, não é um lugar muito simpático à miscigenação.

Vamos a breves e generalizantes explicações:

No território que hoje corresponde à Argentina, os espanhóis, na época colonial, investiram pouquíssimo em mão-de-obra negra. Já os indígenas que estavam no local, levaram o maior couro e foram praticamente dizimados.

O mais curioso não é isso, pois sabemos o quanto os processos históricos são complexos e conturbados e muitas questões perdem suas origens através dos tempos. Curioso de verdade é a literatura formadora da identidade gaucha, ostentar total aversão aos indígenas. Deixo aqui, à guisa de curiosidade, alguns trechos para leitura e espanto:

Y cuando se iban los indios
Con lo que habían manotiao
Salíamos muy apuraos
A perseguirlos de atrás

Tradução:
E quando partiam os índios
Com o que tinham roubado
Saíamos bem depressa
Deles, íamos atrás

Allí sí, se ven desgracias
Y lágrimas y afliciones;
Naides le pida perdones
Al indio: pues donde dentre,
Roba y mata cuanto encuentra
Y quema las poblaciones.

Tradução:
Ali sim, se vêem desgraças
Lágrimas e aflições
Ninguém pede perdões
Ao índio: porque onde surge
Rouba e mata quem encontra
E queima os vilarejos

No salvan de su juror
Ni los pobres angelitos;
Viejos, mozos y chiquitos
Los mata del mesmo modo:
Que el indio lo arregla todo
Con la lanza y con gritos

Não se salvam de seu furor
Nem os pobres anjinhos
Velhos, moços e pequenininhos
O índio resolve tudo
Com lança e com gritos

Moral da história: não se vê negros e indígenas na Argentina, salvo as exceções e vários mendigos, é claro.

Antunes

Belém, 7 de fevereiro de 2010

Diante de Rosas, um dos governos que mais matou indígenas na Argentina

Tango-tchan!

Passam as épocas, passam as modas, passam… mas, algumas coisas perduram a despeito do tempo: em Buenos Aires é o tango. Tango, magnífico tanto, bailado com aquela imensurável sensualidade, tango das telas de Carlos Saura, tango que tive que ir até a Argentina para saber que sua origem está no candomblé. Tango, provavelmente a maior marca argentina. Vejam o samba no Brasil, parece imortal e sobrevive às suas milhares versões, deve ser assim também com o Tango. Há tango eletrônico, show de tango estilo broadway, o tradicional tango e o tango de rua. O tango que se consegue achar fácil na Argentina é aquele pra brasileiro ver, está em qualquer esquina de ponto turístico. A nós brasileiros faltou mostrarmos o quanto somos gratos. Passou-se a época do É o tchan! O grupo fez tchan no Havaí, tchan árabe, mas nunca rolou um Tango-tchan. Ia ser um sucesso! Por que falo isso? Pois a Argentina, pra agradar a nós, brazucas, praticamente lançou esta idéia (infelizmente antes de mim). As dançarinas de tango de rua estão além do sensual, estão perfeitamente vulgares com seus vestidos de rasgos ginecológicos, batons luz de zona e interpretações orgásmicas. Os brasileiros tarados agradecem.

Para quem quiser conferir como vai o Tango argentino, apesar de tudo, ou graças a tudo, muito bem bailado, ficam os vídeos abaixo.

Antunes

Belém, 7 de fevereiro de 2010

Comer – o verbo essencial

Comer! Comer é tão fundamental e popular que é assim que também chamam o ato que leva à reprodução! Desde criança nos ensinam: comer pra crescer, comer sem deixar no prato, comer direitinho, comer vitaminas: comer! Para dizer que se conheceu outro lugar há que comer nele, ou melhor, comê-lo! Como conhecer o Pará sem comer tacacá? Como conhecer o Rio de Janeiro sem comer feijoada? Como conhecer o Rio Grande do Sul sem tomar chimarrão? Como conhecer a Bahia sem comer acarajé? Como conhecer o Espírito Santo sem comer moqueca? Como conhecer Minas Gerais sem comer feijão tropeiro? Se você quer conhecer Buenos Aires, há que devorá-lo. Abaixo, os pratos indispensáveis. Dane-se o seu gosto, arrisque:

Parrillada

Conjunto esquisitíssimo de carnes: riñones, vacio, lomo, chorizo… A carne argentina é totalmente diferente da brasileira. Os cortes são outros, os sabores também. Tem, ainda, muito mais gordura e muito menos sal. Não vá esperando encontrar picanha, contra-filé, alcatra e cupim.

Onde encontrar: Há um ótimo e barato restaurante chamado La Cholita (curioso nome), anote aí – Rodriguez Peña 1165 – Recoleta – Ciudad de Buenos Aires. Outro que recomendo, mas não tenho o endereço fica na rua paralela ao Caminito (a rua dos degraus com versos), numa espécie de garagem/quintal, é bem mais rústico e bem mais caro, o bairro é Palermo.

Empanada

Pastelzinho com massa diferente (quase um pastel de forno). É típico nos lanches bonaerenses. Presente em todos os lugares, há as boas empanadas e há as ótimas empanadas. As boas são as que estão em qualquer esquininha, expostas nas lanchonetes,  pois são esquentadas em microondas. As ótimas são as dos restaurantes – vale arriscar as doces.

Onde encontrar: É recomendado e baratíssimo o restaurante Cumaná (cada pastelzinho deve sair por 1,50 Real), fica ao lado do La Cholita. Rodríguez Peña 1149  – Recoleta. Arrisque, pelamordedeus a empanada de doce de leite (arrisque tudo que é de doce de leite na Argentina), mas peça rápido, pois costuma esgotar. O restaurante que está sempre lotado.

Helado

É o sorvete! Sem qualquer tipo de exagero, o sorvete argentino é o melhor que já comi em vida. É um dos motivos que coloco HELADO no subtítulo, pois não pode levar o mesmo nome que conhecemos aqui no Brasil, é outra coisa, outro produto, outra qualidade.

Onde encontrar: O mais popular é o FREDDO (tem em tudo que é canto), no shopping Abasto pode-se encontrar também o Munchi’s. Mas, o meu preferido é o La Veneciana, fica em Puerto Madero, tome sempre o de doce de leite.

Quilmes

A cerveja é um dos produtos mais famosos da argentina. Está por todas as partes, mais popular que Skol no Brasil. Eu provei e achei igual a qualquer outra, mas particularmente não sou chegado a cerveja.

Alfajor

Sabe quando a gente, no Brasil, entra em qualquer lojinha e vai com alucinada vontade em direção à barra de chocolate? Então, na argentina isso acontece com o alfajor. Há alfajores empilhados em todos os cantos, principalmente nas lojas 25h. Recomendo o alfajor da marca Vauquita e Milka.

Media Luna

Se acostume: todo desjejum, oferecer-te-ão uma Media Luna. Nada mais é do que o nosso croiassaint, porém sem recheio. A massa é muito gostosa e não se preocupe em procurá-la, ela chegará até você.

Dulce de leche

Leve dinheiro e faça estoque: compre tudo que for de doce de leite. Veja a crônica com nome de Vauquita.

Mate

O mate da argentina é cru (diferente do nosso que é torrado), ou seja, próprio para o cimarrón. Arrisque com certo cuidado. A grande vantagem é poder encontrar mate em qualquer lugar acrescido de diferentes sabores e das mais diferentes marcas.

Pizza

Os argentinos têm mania de italianos. O que é bom, pois as massas são deliciosas, com destaque, obviamente, para a pizza. Porém, não vá com muita sede ao pote e não arrisque muitos exotismos como “nhoque” de sêmola (recomendação da Emanoelle). As pizzas aparecem em sabores bem diferentes e sempre deliciosas, é muito comum pizza de queijo roquefort (lembra o nosso gorgonzola).

Onde encontrar: Pizzaria La Madeleine, aberta 24h, Av. SANTA FE  1726 – BARRIO NORTE – CIUDAD DE BS AS.

ATENÇÃO, TENHA MUITO CUIDADO

1 – Quando te oferecerem um SORVENTE não ache que é um sorvete, é apenas um canudo!

2 – Como a comida é muito barata, é comum acharmos que sempre teremos como pagar. Dessa forma quase tive que lavar pratos em dois lugares. Sorte que aceitavam Reais. Anote aí o nome dos careiros: La Opera e Guido’s Bar (este último é estranho pra caraca).

3 – Muitissíssima atenção, as massas são vendidas com o molho separado. Sendo assim, você acha que está comprando um prato ultrabarato, aí, quando ele chega à mesa está sem SALSA (molho) e, se quiser o molho, deve desembolsar mais um dinheiro.

Antunes.

Rio de Janeiro, 5 de fevereiro de 2010

Bife de chorizo

Pizzaaaaaaaa

Parrillada o payasada?

Guido's bar, careiro e esquisito

24 horas de pizza

Por San Telmo busquei o Zahir

Zahir, em árabe, quer dizer ‘notório’, ‘visível’; em tal sentido, é um dos noventa e nove nomes de Deus; a plebe, em terras mulçumanas, emprega-o para ‘os seres ou coisas que tem a terrível virtude de ser inesquecíveis e cuja imagem acaba por enlouquecer as pessoas’.

(BORGES, O Zahir)

Em Buenos Aires o Zahir é uma moeda comum, de vinte centavos; (…) em Java, um cego da mesquita de Surakarta, a quem os fiéis lapidaram; na Pérsia, um astrolábio que Nadir Shah mandou atirar no fundo do mar…
(BORGES, O Zahir)

O tempo, que atenua as lembranças, agrava a do Zahir.
(BORGES, O Zahir)

O que vos contarei, leitor, tampouco sabe a Emanoelle. Saberá no exato momento em que ler este texto que transpira confissão.

Escolhi Buenos Aires como nosso destino por causa do Zahir. Não havia nada dos retóricos argumentos: pratica do espanhol, baile de tango, degustação de alfajores, romantismo bonaerense. Foi, exclusivamente, o Zahir – o ser que possui a virtude de jamais cair em esquecimento. Li, nas páginas de Borges, que Deus nunca permitirá que dois Zahir coabitem, pois seria de insuportável esplendor para o ser humano. Li, igualmente, que um Zahir, passara por Buenos Aires em forma de moeda. Apenas a leitura de tal palavra e hipótese, foi capaz de causar-me obsessão. Precisava atravessar o Rio da Prata.

Cheguei à terra de Borges com a convicção de que o Zahir estava sob posse de algum antiquário que, adoecido pelo fantástico, agonizava entre mantê-lo ou desfazer-se dele. Carreguei, escondido em meu bolso, um mapa que eu estudava trancado no banheiro. Algo misterioso me dizia que o Zahir poderia estar pelas ruas do bairro de San Telmo, perdido entre relógios de bolso, estátuas do século XVIII e tapeçaria antiga. A primeira vez que fui a San Telmo, acompanhou-me minha esposa (Emanoelle). Enquanto ela se admirava com os talheres de prata, os cucos e a indumentária pseudo-vitoriana, eu buscava o Zahir sem que ela desconfiasse. Mas, como encontrar uma moeda de vinte centavos entre o labirinto de vitrines? Atormentava-me pensar que ela poderia estar circulando entre tantas moedas, mas tranqüilizava-me compreender que o seu dono não teria facilidade para desfazer-se dela. A saída seria deixá-la ao acaso entre as quinquilharias, até que alguém a descobrisse. Perdê-la quase involuntariamente, pareceria a única saída.

O leitor deve imaginar, com total razão, que não achei o Zahir nesta primeira investida. Porém, ainda que eu acreditasse nunca tê-lo visto, atormentava-me a idéia por ter lido seu nome. Era quarta-feira de madrugada, esperei a Emanoelle adormecer e saí pelas ruas em busca do Zahir. San Telmo, às três da madrugada, estava povoada por gatos negros e alguma população de rua. Lembro de abaixar ao lado de um mendigo e entrevistá-lo, porém não obtive nenhuma resposta pertinente. Passei mais uma parte da madrugada indo aos bares que estavam abertos e recebendo respostas negativas e risos sobre o Zahir. Voltei, silencioso ao hotel, antes da Emanoelle acordar.

Na quinta-feira, repeti a investida, porém andava temeroso por ter saído sem avisar à minha esposa. Encontrei em San Telmo, um senhor que lembrava um compadrito que me confirmou a existência do Zahir, mas alegou não saber de seu paradeiro. Dobrei muitas esquinas e entrei em ruas que não lembro o nome, procurei por bueiros e clamei a Deus numa envergonhada oração mais bafejada que falada. De madrugada, com as mãos vazias, retornei ao quarto de hotel. Percebi que deveria voltar a San Telmo com as lojas ainda abertas.

Na sexta-feira, quis o destino que a Emanoelle acordasse indisposta. Comprometi-me em comprar-lhe um remédio. Às ruas, tomei um taxi e retornei a San Telmo. Desvairado, percorri lojas, revirei sucatas, conversei com vendedores, todos descrentes e infiéis à Literatura. Voltei ao hotel e disse à minha esposa que demorara por estar em falta o remédio que necessitava. Passei a tarde e a noite junto a ela.

No sábado, estivemos em Puerto Madero, atravessamos a Ponte da Mulher e nos beijamos. Ela disse que eu estava estranho, mas não lhe confessei nada. O Zahir continuava a perturbar-me, mas nunca na forma de moeda.

Domingo, voltamos ao Rio de Janeiro, fiquei ao lado da Emanoelle durante todo o dia. Jurei-lhe fiel amor e me perguntei se não seria remorso por sair às escondidas durante a viagem.

Segunda-feira, o despertador tocou às 5 da manhã. Às 5:15, minha esposa me cutucou para que eu acordasse. Disse-lhe que não iria trabalhar, ficaria ao lado dela durante todo o dia. Tive febre.

Terça-feira, novamente o despertador fez-se ouvir. Às 5:05, Emanoelle já me cutucava preocupada. Disse-lhe novamente que não iria trabalhar. Porém, fui colocado contra a parede: “Vinícius, o que está acontecendo contigo?”. Só consegui-lhe balbuciar: “És o Zahir!”

Antunes
Rio de Janeiro, 19 de janeiro de 2009

Pelas galerias de antiguidades de San Telmo

Zahir entre as quinquilharias de San Telmo