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Além dos bens e do mal

Há bens que vêm pra mal. E o carro é um dos bens mais consumidos pelos brasileiros que mais tem feito mal a estes brasileiros. É óbvio, leitor, que prefiro andar de carro que de ônibus, mas são ônibus, trens e metrô que fazem parte do meu cotidiano. É impossível andar de carro pelo Rio de Janeiro no horário do rush. E quando não é o estrago provocado pelos engarrafamentos, o carro maltrata com a fumaça, com o barulho e com a poluição visual. Uma das frases que minha esposa mais ouviu de minha boca durante nossa estada em Ouro Preto foi: “Não admito estes carros no centro histórico!” Acabara de vir de Paraty onde são proibidos carros no centro e, Ouro Preto, não segue esta mesma boa prática, diga-se de passagem, nenhuma cidade histórica de MG segue esta ótima prática. Os carros ficam ali, largados a enfear o ambiente, a estragar as fotos, a impedir as caminhadas. Sorte foi a de Tiradentes que morreu antes de ver um Corola ao lado dos sobrados; sorte foi a de Tomás Gonzaga que não pôde escrever que Marília estava à janela de seu Novo Uno; sorte foi a de Silvério dos Reis que não traiu Joaquim José em troca de um Astra. Azar foi o meu que tive que dividir minhas fotos com este monte de sucata.

Antunes
Rio de Janeiro, 20 de setembro de 2010

E quando eu ia tirar aquela bela foto, eis que surge um maldito carro

O cemitério parece mais um estacionamento

E qualquer foto fica uma porcaria com esse monte de carros

O amendoim fantasma!

Desculpe-me povo de Belo Horizonte! Mil perdões! Desculpe-me, mas a verdade escapa-me como água por entre os dedos: convenhamos, BH está longe de ser um lugar turístico. Sinceramente (maldita sinceridade, parece que cuspo no prato que comi), não sei o que um turista vem fazer em BH. Só se for descansar depois de visitar Ouro Preto. Desculpe-me, povo tão gentil, mas se BH fosse bom como dizem as placas trilingues, vocês não iam passar as férias no Rio de Janeiro.

Guardei esta verdade comigo até agora, mas escapa-me depois que visitei a rua do Amendoim. Na falta de ponto turístico, BH – inventiva cidade de poetas – criou um. Arrisco sem medo de erro: a rua do Amendoim é a mais bem sinalizada de toda a Cidade, senão de todo Estado, senão de todo País, senão de todo Mundo! Há placas por tudo que é canto que dizem: rua do Amendoim. Quando não: calle, street! Curiosidade, curiosity, curiosidad! E foi esta curiosidad que me moveu até aqui: mas, afinal, o que tem a rua do Amendoim? Quem me dera leitor, que a resposta fosse óbvia e eu encontrasse lá amendoins de todos os tipos, ou, como está no singular, eu encontrasse lá ao menos um amendoinzim… bom, se por lá já existiu algum amendoim, já comeram faz tempo. É triste, mas lhes compartilho: a rua do Amendoim é como outra qualquer: casas dum lado, casas do outro, asfalto no meio e carros. Mas, que raios, então, faz com que ela seja tão difundida? Fui sanar minha curiosity no deus-pai-que-tudo-sabe: Google. Veja o que encontrei:

Ficou conhecida por uma ilusão de óptica. Visitando-a de automóvel, ao deixar o motor desligado e desengrenado e soltar os freios, temos a ilusão de que o automóvel sobe a rua, ao invés de descê-la.Várias explicações folclóricas tentam explicar o fenômeno. Uma delas diz que os carros são movidos devido à alta quantidade de minério de ferro existente no lugar, o que pode ser desmentido ao observar que objetos não metálicos, como líquidos e bolas, têm o mesmo comportamento no local. Na verdade, trata-se de mera ilusão de óptica.
Fonte: Wikipedia.

É, querido leitor, antes este texto fosse, também, uma mera ilusão de ótica.

Antunes. 26 de novembro de 2009 – Belo Horizonte

Primeira placa de sinalização na própria rua

Segunda placa de sinalização na própria rua

Terceira placa de sinaização na própria rua

Quarta placa de sinalização, na própria rua. Chega! Paremos por aqui.

Rua do Amendoim, a própria