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A sacralização da folha de Coca

A extingam antes do refino. Embrião de todos os males da sociedade moderna norte-americanizada. Um choque para as vovós yankees que tem seus netinhos adoecidos por um pó branco. Mas a culpa é dos pretos que vendem, dos índios que cultivam. O narizinho das crianças serão corrompidos se deixarmos que esta cultura maligna se propague, ou que perdure. Culturas inferiores que não entendem de geopolítica, que não entendem a complexidade da economia capitalista, querem continuar sacralizando a folha de coca. Os índios aimarás estão unidos as FARC, marchemos pelo bem, vestidos de branco! Branco! A folha de coca é como um deus na Bolívia. São as mãos calejadas das cholas que sacralizam a folha de coca, é a saliva do índio aimará que sacraliza a folha de coca, são os museus bolivianos que sacralizam a folha de coca, é o turismo que sacraliza a folha de coca, é o soroche que sacraliza a folha de coca, é o trabalho pesado que sacraliza a folha de coca. A folha de coca é um deus na Bolívia, deus de cada esquina. Deus que é o diabo pra outros, mas todo Cristo já foi gritado Belzebu.

Antunes
Rio de Janeiro, 16 de agosto de 2010

Numa esquina, cholas separam folhas de coca

Em qualquer feira, folhas de coca

Museu da Coca, La Paz, Bolívia

Coca Coca

Já ouvi dizer que, pelo mundo, há vários sabores de Coca-cola. Um cascateiro amigo dum primo meu, disse-me dada vez que na Disney tem até Coca de chocolate. Não tenho a menor idéia da veracidade da informação. Porém, amantes de Coca Cola, garanto-lhes uma coisa: há na Bolívia uma Coca Coca. Como assim? Uma Coca com sabor, realmente, de coca.  Me refiro a folhinha de coca, discriminada e perseguida por muitos.

Descobri este invento no primeiro restaurante que comi: La Casona, em Santa Cruz (fica a indicação, o restaurante é ótimo). Avisaram-me para não beber da água boliviana, então, no restaurante, pedi uma Coca Cola Zero. Quando provei, eis a novidade: o cheiro e o sabor da Coca Cola era de chá de folha de coca.

Uma possível explicação:

A Coca Cola comum, ou seja, que não é zero, tem o sabor normal. Sendo assim, enquanto degustava da Coca Coca Zero bolei uma possível explicação para o fato. O refrigerante Zero deveria ter uma péssima aceitação entre os bolivianos e, mui destra, a empresa Coca Cola teve a sacada de aproximar o seu sabor do milenar chá de coca que é um símbolo da cultura andina. Desta maneira, fez crescer o consumo e agradou o paladar dos bolivianos.

Se esta explicação colou, fique com ela. Caso contrário, aguardo a sua.

Antunes
Rio de Janeiro, 26 de maio de 2010

Garrafa de 500ml de Coca Cola Zero Boliviana