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Habla del niño de la bodita de San Pedro

A voz do texto

Não se joga arroz, moço, pois arroz é comida. Não se joga comida assim no chão, nem pensar. Não, nem que seja pra abençoar noivo, noiva, seja lá o que for. Arroz só se joga pra dentro do estômago. Aqui se joga estes papelitos picados, abençoa igual, senão mais. Pois olhe quantos se separam lá na sua cidade e olha quantos se separam aqui. Aqui ninguém se separa não, seu moço, aqui casal vive junto e nem morte separa ninguém. Pois lá é Jesus que abençoa os casal, aqui Jesus abençoa também, mas tem apoio dos outros deuses que estão aqui antes mesmo de Jesus, estão aqui desde que tudo isso era Tihuanaco, não se sabia nem fazer sinal da cruz, ao menos foi o que me disse minh’avó. Por que cato isso, os papelito, quer saber? Pra jogar de novo. Papel que abençoa uns, abençoa os outro. Pois se o senhor quiser, posso jogar o papel sobre o senhor mais sua esposa. Vão ali pra perto do Cristo de madeira, é bom lugar. Num vê que as chola estão vestida de festa, com roupa que brilha que nem sol? Vai ficar bonito na foto até, eu posso tirar foto sua mais sua esposa com as chola de fundo. Dá a câmera, entendo de tecnologia também, seu moço. Embora entenda mais de catar papel pra deixar as bodita feliz.

*Fala do menino que joga e cata papel nos casamentos da Igreja de São Pedro, nas cercanias do Império Tihuanaco.

Antunes
Rio de Janeiro, 13 de agosto de 2010

La bodita de la iglesia de San Pedro

Os convidados saudando os noivos

Eu me intrometendo na festa de casamento dos outros

Os convidados se despedindo dos noivos

Interior da Igreja

Um santo bem colonizador

Um "santo" bem indígena

Entre Inca e Cristo

Cristo de madeira da Igreja de San Pedro

Voar: uma cruz e uma via crucis

Volto a dizer: voar é para os pássaros e não para os homens. Cristo com sua cruz de madeira, eu com a minha cruz de avião! Achei em Bs. As. um artista callejero que conseguiu expressar perfeitamente meu sentimento (veja nas fotos abaixo). Se não bastasse o sofrimento por si só, a viagem internacional (mesmo Argentina sendo quase Brasil) guarda mais algumas surpresas bem representadas pela palavra: FILA! É fila pra Check-in, fila na aduana, fila pra entrar no avião… parece que tá tudo de graça, leitor.

E no avião, quase fui assassinado. Eis que estou sentado ao lado de minha esposa, quando a aeromoça chega tacando um aerosol sabe-se lá de que pra matar sabe-se lá que ou quem… medidas de segurança, senhor… e mais: no meio do avião um misterioso mosqueteiro e, durante a viagem, tome papelzinho pra preencher!!

Mas cheguei, como você percebe. Cheguei, leitor, depois de aturar muitas filas, aerosol na cara e um gordinho insuportável que virará crônica! Obrigado por ter desejado boa viagem!

Antunes
Buenos Aires, 8 de enero de 2010

O avião é minha cruz. Arte nas ruas de Bs. As.

Cartão amarelo para as filas da Gol (que bom que ele teve alguma inutilidade)

Atenção ao mosqueteiro que estava no avião...

Papéis para preencher...