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O Cupuaçu

Ao pisar no Pará há que se tomar o suco do cupuaçu. Sei que no Rio de Janeiro tem, em São Paulo tem, por aí tem, mas não há como o cupuaçu do Pará. É mais cremoso e por estar no seu habitat natural, está mais à vontade para compartilhar seu sabor. Logo no aeroporto de Belém, corra no Café do Arthur e tome um cupuaçu com leite. Não há erro com o cupuaçu bem doce e com leite. Diferente do suco, nunca fica ralo e entope só de bater no estômago, agüenta até que se chegue à outra cidade. Ao chegar ao interior do Pará, o suco é melhor ainda por lá, sempre menos água, sempre mais poupa. Dá pra achar em Paragominas suco a dois Reais, em Paraupebas tem por três e Canaã dos Carajás também. O suco é saboroso e forte, vicia igual cachaça e sai até pelo suor. Não é em vão que bombom no Pará, no lugar de licor, tem cupuaçu. Tomar cupuaçu pela noite é acordar conversando com ele no dia seguinte, conversa boa, sem dor de ressaca: é a ressaca do cupuaçu.

Antunes
14 de fevereiro de 2010

Parauagrécia – o presente

Pelo fato de ligar para marcar taxi pra outras pessoas, mantive certo contato com O Guia da Floresta seu Luiz Gonzaga, pai do também motorista Nelson Nedi. Ademais do contato pelo telefone, trocamos cordialidades, inclusive presentes. Regalei-o um porta-retratos com foto sua que tirei e, em troca, mandou-me um pesado isopor que recebi pelas mãos de minha amiga de trabalho, Xandinha Magalhães. No ápice da curiosidade e entre os astutos olhares dos colegas de trabalho, resolvi abrir aquele sarcófago para ver que mistérios guardava. Vi um monte de sacos plásticos enrolados e não era possível compreender mais nada. Foi quando gigantescas formigas amazônicas saltaram do isopor como gregos saltaram do Cavalo de Tróia. Fechei o presente enquanto era tempo e pisoteei algumas formigas que se aventuravam pelo carpete. Com o isopor bem fechado, cheguei em casa e criei uma estratégia de guerra baseada em Sun Tzu, pus luvas, enfiei o isopor dentro do tanque, abri. Formigas estavam ansiosas para saltar dali, fugiam com perspicácia e dominavam diversas artes marciais. Apressado, desenrolei as sacolas plásticas: encontrei doce de bacuri, polpa de cupuaçu, queijo, castanhas descascadas e castanhas com casca e terra – daqui vinham as formigas. Fervi água no microondas, retirei tudo que tinha no isopor – menos as castanhas com casca e terra e tasquei aquele fervor dos infernos nas bichas. Elas agonizaram e não desistiram, algumas tentaram ataques suicidas. O combate durou uma interminável noite. Desta vez, quem venceu foi Tróia!

Antunes
11 de fevereiro de 2010

O Isopor no tanque

Deixando só as castanhas com terra no Isopor

Só as castanhas no Isopor

Vitória obtida, mesa posta