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Un ricachón en Bolivia

Ser brasileiro é uma coisa curiosa: se eu fosse para a Europa ou para os Estados Unidos da América seria um mendiguinho metido a burguês, como viajo pela América do Sul, posso tirar onda de riquinho pelos nossos países vizinhos. Na Argentina, foi mágico. Todo o meu dinheiro dobrou. 1 Real valia 2 pesos e achei-me rico. Porém, na Bolívia, o milagre da multiplicação verdadeiramente aconteceu: todo meu dinheiro triplicou, quase quadruplicou. Ou seja, se um sujeito ganha mil Reais no Brasil, na Bolívia ele tem três mil! Se ele ganha dois mil, na Bolívia tem seis mil!

O macete pra ficar milionário é saber onde trocar o dinheiro. Recomendo que você leve um cartão visa ou mastercard, habilite-o (ainda no Brasil) para uso internacional e pague apenas uma taxa de uso no exterior. Porém, se você é primitivo como eu e gosta de dinheiro na mão, o negócio é o seguinte: não troque muito dinheiro no aeroporto. O câmbio de lá é de 1 Real igual a 3 Bolivianos, o que já é uma barbada, porém em outros lugares (como na rodoviária e Centro de Santa Cruz) você pode chegar a conseguir 1 Real valendo 3,50 bolivianos ou mesmo 3,70 bolivianos. É dinheiro igual nunca vimos.

Mas, depois de tornar-se um rico, o que vale a pena comprar na Bolívia?

1 – As tradicionais lembrancinhas

2 – Jogo de xadrez (são lindos e baratos, com menos de 30 Reais – 90 bolivianos –  compra-se um tabuleiro com peças lindíssimas e artesanais)

3 – Roupas de frio feitas de lã de lhama ou alpaca (chulos, casacos, calças, luvas e meias), são caras se comparadas a outros produtos, mas baratas se comparadas ao Brasil e se levarmos em consideração a qualidade que possuem. Tornam-se indispensáveis em La Paz, pois lá faz muito frio.

4 – Produtos artesanais (bolsas, vasilhas, cordões etc).

5 – Camisas de futebol latino-americanas no Centro de La Paz (podem ser compradas por 10 Reais as genéricas muito bem feitas e por 40 Reais as originais).

Leve as malas vazias, vá apenas com a roupa do corpo e aproveite para movimentar o comércio local.

Antunes
Rio de Janeiro, 17 de maio de 2010

Os valiosos bolivianos

Nove rainhas e trinta pesos – o caso das notas falsas

Estão por toda a parte, só que não os vemos: ladrões, batedores, bandidos, criminosos, larápios, enganadores, malandros, seteuns, mãos-leves… Esta frase com que começo, é muito próxima da que diz Ricardo Darín no miolo do filme Nueve Reinas. E, na Argentina, quiçá seja mesmo assim. Não os vi, mas acredito que estavam ali, prontos para passarem a perna em alguém, principalmente se for um turista bobo-alegre.  Inclusive, o guia de viagens da Abril, recomenda: em Buenos Aires, cuida-te das notas falsas.

Foi assim: o casal de recém-casados recheado de parrillada e fugido dos mosquitos portenhos tombou pra dentro de um taxi em que o motorista era um vovozinho quase Noel. Foram, no silêncio daquele olhar que os espreitava pelo retrovisor, até a porta do hotel. Na despedida, pagam com 50 pesos. Agradeceram e receberam 30 de cambio. No dia seguinte, foram ao mercado, pagaram com as notas que haviam recebido e acabaram sob os olhares de todos: !estos billetes son falsos, señores!

Antes de ir para Buenos Aires, assista infinitas vezes o filme de Fabián Bielinsky, Nove Rainhas. Mas não assista a ponto de acostumar e sim de continuar estranhando. Vá atento, acredite nas histórias mais mirabolantes, desconfie, inclusive, de todos os vovôs e vovós (para isso dê uma olhada no filme Elsa e Fred no qual está uma argentina embustera), ande apenas com dinheiro trocado e de baixo valor. Porém, se você quer histórias para contar: deixe-se enganar, arrisque. Afinal, agradeço ao amado vovô-taxista-ladrão, se não fosse ele, eu não teria esta experiência para compartilhar. Nem foi tão caro, esta crônica custou-me 15 Reais.

Antunes
5 de fevereiro de 2009

Foto dos Pesos falsos

Outro lado dos pesos falsos

Questões financeiras

Vocês só aceitam pesos ou também aceitam dinheiro de verdade? – foi o que perguntou um brasileiro na hora de pagar a conta de um restaurante no Centro de Buenos Aires. Explico: diferente do mito, nem todos os lugares aceitam Reais, embora – realmente – muitos aceitem. Como, então, conseguir alguns pesos?

A primeira opção são os bancos. Porém bancos só são bons para se sentar ou para enriquecer banqueiros. Em uma viagem, então, nem se fala. Ninguém gosta de perder tempo em banco, nem os mais sádicos. Mesmo assim, fui parar no Banco do Brasil em pleno Buenos Aires… se a opção não é muito boa no Brasil, imagine o Banco do Brasil na Argentina! Evite-o! Ele fica escondido e nem saque faz. Desbloqueie seu cartão para uso internacional ainda no aeroporto. Para sacar os pesos basta ir a qualquer banco credenciado e pronto, estão lá seus leves pesinhos.

A segunda e melhor opção é levar Reais e trocá-los, ainda no aeroporto, por pesos no Banco de la Nación. Tome muito cuidado, pois trocar Reais por Pesos em outros locais do aeroporto lhe gerará uma grande perda de dinheiro. O peso tá desvalorizado. Ruim pra eles, ótimo para os consumidores brasileiros. Parecemos até ianques quando vêm ao Brasil, a relação está mais ou menos de dois pra um: um Real = dois Pesos. Sendo assim, faça uma cara de imperialista, encha o bolso de pesitos e empine o nariz: em Buenos Aires até você é rico!

Antunes

En avión de Bs. As. a RJ, 10 de enero de 2010

Leves pesos