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Plaza Murillo

Se as outras praças bolivianas parecem ter sido feitas para os fins de semana, para o descanso, para se aconchegar nos bancos e conversar após a missa, a Praça Murillo parece ter sido feita para os dias de semana, para o povo caminhar sobre ela rumo ao trabalho. A Praça Murillo, é a mais política das praças. Ali fica o presidente Evo Morales, num prediozinho tão insignificante que só descobri depois e faltou-me a foto. Entretanto, ali fica também a imponente catedral de La Paz e o belo prédio do Poder Legislativo. É por ali que marcham as manifestações e desfila a Clio boliviana.

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010

A Catedral ao fundo e a esquerda, encoberto, o prédio do Poder Executivo, onde fica Evo Morales.

Palácio do Poder Legislativo na Praça Murillo

Monumento a Pedro Domingo Murillo, na Praça Murillo

Os tradicionais pombos estão também na Praça Murillo

Chapolim fazendo um bico na Praça Murillo

EVO-LUCIÓN!

É comum, cotidianamente, que a mídia brasileira massacre governos como de Fidel Castro, Hugo Chavez e Evo Morales. Porém, nada como ir aos países e perceber que tudo não passa de uma leitura feita pelos olhos dos endinheirados que dirigem os meios de comunicação e de repórteres que usam os jornais como espaço de inusitadas opiniões e não apresentam nenhuma prova concreta. Estive na Bolívia, passei pelas três cidades que se dizem capitais: 1)Santa Cruz de la Sierra que busca a autonomia e que os opositores de Evo garantem ser a capital econômica do país; 2)Sucre, capital histórica do país; 3)La Paz, capital política do país, onde se localiza a sede do governo.

Os principais opositores de Evo são descendentes de brancos, minoria da população, mas com maior poder político. Porém, graças a cidades como El Alto e La Paz, o apoio a Evo Morales é esmagador e são memoráveis atos do presidente como a redução de seu próprio salário pela metade (atitude impensável aqui no Brasil). Ao me dirigir às ruínas Tihuanaco, passei por uma região mais rural de La Paz e o motorista me indicou as universidades rurais construídas durante o governo de Evo Morales, um avanço incrível para o país, porque permite ao indígena estudo e trabalho, sem que ele precise deixar o campo e arriscar-se na cidade grande. Além disso, a identificação do povo com seu presidente é um grande benefício para o país que sempre fora governado por brancos (cabe lembrar que os indígenas, mesmo sendo a maioria da população, sofrem preconceitos e são chamados de forma pejorativa). Com Evo Morales no governo começa a construção de uma nova Bolívia, fruto de lutas seculares, presentes no país desde a colonização pelos espanhóis. Aprendi com minha esposa, estudante de Geografia da Bolívia, o termo Pachacuti. Significa, para os indígenas, um marco transformador em seu mundo, uma reorganização, um recomeço. Muitos têm visto Evo Morales como o novo Pachacuti, a evolução do país, a Revolução, a EVO-LUCIÓN!

Antunes
Rio de Janeiro, 13 de julho de 2010

Eu com a camisa EVO-LUCIÓN comprada na Bolívia (Santa Cruz de la Sierra), diante de uma praça com ornamentações indígenas em La Paz.

EL ALTO – la ciudad insurgente

El Alto é uma cidade boliviana conurbada a La Paz, como se fosse uma irmã siamesa, mas de cérebro distinto. É a cidade de maior potencial revolucionário da Bolívia. Por lá vive imensa população de cholos e cholas, trabalhadores de La Paz.

O mais interessante é que El Alto, por mais periférica que seja, influencia diretamente toda a capital política boliviana. Antes da eleição de Evo Morales, quando ocorreram diversas insurreições contra o governo boliviano, os moradores de El Alto sitiaram La Paz e deixaram a cidade sem abastecimento, afinal, qualquer um que queira chegar à capital deve cruzar as carreteras de El Alto.

Como símbolo da Cidade Insurgente, nada de padroeiros, santos, monumentos governamentais, nacionalismos indígenas… Entre os casebres da Cidade, está um imenso Ernesto Guevara a olhar do alto, esperando o próximo levante para ganhar vida dentre aqueles cidadãos bolivianos.

Antunes
Rio de Janeiro, 8 de julho de 2010

Família de El Alto esperando para atravessar a carretera

As casas pobres da Cidade Insurgente

O Che Guevara de El Alto, Bolívia

Che Guevara de El Alto feito de materiais reaproveitados