Arquivo da tag: Farol

Los microbuses de Santa Cruz

Tenho uma amiga chamada Xandinha Magalhães que morou alguns anos em Santa Cruz de la Sierra. Conversava com ela e me contava que lá praqueles lados da Bolívia não tinha sinal de trânsito, tampouco ônibus. A diversão da gaja era ficar, no fim de semana, a olhar da janela de seu apartamento os acidentes de trânsito. Pois venho, então, contar as boas novas: Santa Cruz de la Sierra já tem sinais de trânsito e ônibus. Os sinais de trânsito são meia dúzia que ficam no centro da cidade e os ônibus são o que eles chamam de “microbuses”. Os microbuses são, como diz o nome, onibusinhos. Além de pequeninos, são coloridos e adesivados. Tem microbus com adesivo do Che Guevara, do Garfield, da Nação Camba, do Johnny Bravo e por aí vai. Os ônibus vão sempre cheios, mas são freqüentes e baratos (custam um boliviano e cinqüenta = cinqüenta centavos de Real). Visualmente, parecem sucata que sobrou do Japão, mas, se perdem em qualidade, sobra em cordialidade, pois os motoristas estão sempre prontos a informar e a população, além de espremida, é bem educada. Com cara de turistas, minha esposa e eu, estávamos sentados em um microbus saído da rodoviária e um boliviano meio grogue, quis dar-nos as boas-vindas: “Rai, rou are iú? Ere iú from?” Sorte que ele não estava sóbrio e, diante das risadas do ônibus, pude simplesmente ignorá-lo e não decepcionar o público crucenho, pois afinal, não era um gringo que falava inglês que estava ali tendo o privilégio de andar em seus microbuses.

Antunes
Rio de Janeiro, 18 de maio de 2010

Vários microbuses crucenhos

Un microbus

Um microbus por dentro

A Terceira Ponte e o Farol de Santa Luzia

Dê-me luz! Alumbra-me pra escrever este texto, pois já escrevo vários seguidos e a escrita cansa. Não mais, disse Camões ao final dos Lusíadas, todavia eu, teimoso, digo: um mais!

Tolo, achei que engarrafamento fosse coisa de paulista e carioca. Engarrafamento é coisa de capixabas também, de capixabas que vão a Vila Velha (a mais antiga e populosa cidade do Espírito Santo, superando até a capital) na hora do rush. Sair entre 17 e 18 horas do trabalho, significa ficar preso na Terceira Ponte. Cabe lembrar, Vitória e Vila Velha são como Rio e Niterói, se continuam e se comunicam por ponte. Porém a Ponte III (gostei assim) só tem duas pistas de cada lado, é apertada que nem funil e engarrafa à toa. Sua construção e seus mitos também são históricos: dizem (como sobre a Ponte Rio-Niterói) que vários esqueletos de trabalhadores mortos na obra estão presos nela até hoje e que é o lugar mais propício a um suicídio programado, os que saltam lá de cima não são raros, são cotidianos, contam-me.

Fui conhecer Vila Velha e comecei pelo Farol de curioso nome: Santa Luzia. Curioso, pois se o leitor não sabe, Santa Luzia é a padroeira dos olhos, sendo assim, é um nome mui alusivo para um farol que dá luz ao navegante à noite, justamente quando menos vê. Apesar de não estar aberto a visitas, fui visitá-lo e a vista é boa, garanto. Embaixo dele, bem pertinho, bate água do mar, o clima é agradável e bom de ficar. Depois disso, vale o passeio pela praia da Costa, jantar num quiosque ou num dos restaurantes à beira e ficar ali até cansar de descansar, pois à noite só acaba mesmo quando o farol se apaga e sai o sol.

Antunes
Vitória, 17 de dezembro de 2009

A Terceira Ponte, entre os vãos o Convento da Penha

O monstruoso engarrafamento pra se chegar té Vila Velha

O farol de Santa Luzia, luz aos cegos

A vista do farol

Barquinhos sob o farol