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Crônica falada 5: Maracanã – Canto das Torcidas

O doutor Vinícius Antunes (eu mesmo) analisa linguística e semanticamente os cantos das torcidas dos principais times do Rio de Janeiro (Vasco, Fluminense, Botafogo e Flamengo) no Maracanã. Um estudo revolucionário da literatura pós-moderna. Obs.: O amigo citado no vídeo é o Roberto.

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Antunes
Rio de Janeiro, 16 de março de 2011

Uma mulher gostosa

Começa, hoje, mais um novo conjunto de crônicas de uma viagem. Desta vez, meu rumo é Belo Horizonte. Desculpe-me a cretinagem e o machismo, mas começarei ainda no Rio, levando-o a seguinte reflexão: pense numa mulher gostosa. Caminhe com estes olhos caninos pelas curvas. Estacione onde for necessário. Agora, volte cá comigo ao texto.  Já imaginou, velho leitor, se você fosse assim? Isso, exato! Se você, leitora pela qual ninguém dá nada, você leitor de cabelos nas costas, você leitora de pernas de bambu, você leitor de espinhas na cara, imagine, se você fosse uma daquelas capas de revistas, namorada de jogador, musa de borracheiro… Pois eu fui! Vivi esta experiência. Sei que você não acredita, ainda mais, sendo eu tão peludo, mas é a mais insípida, inodora e incolor das verdades. Fui, por alguns breves minutos, uma mulher gostosa e passo, agora, a contar a experiência:

Desci do SENAC Flamengo, Rua Marquês de Abrantes, número 99, com minha mala de viagem, após ter chamado um taxi por telefone – já iriam bater onze da manhã. Parei ingenuamente à calçada com a mala no chão e apoiei-me nela, levemente, como tudo que é belo.  De repente ouço: Psiu! Psiu! Como não sou malandreado em cantadas, visto não recebê-las, resolvi olhar. Era um taxista olhando arregaladamente para a minha mala, como um tarado para um traseiro feminino. Disse que não, e agradeci. Passado isto, fiquei a olhar pra rua e os taxis passavam lentamente do meu lado e todos me olhavam sedentos, uns chegavam a buzinar, outros faziam gestos, uns só tiravam fino e olhavam, como olhavam, teve aquele que quase bateu e outro que parou a fazer promessas: que me dava conforto, desconto. Recusei. Até que veio meu taxi, parou diante de mim, abriu-me as portas e entrei, não sem antes olhar pra trás. E assim fui eu: tal qual caricatura de mulher gostosa. Mal sabiam eles que eu não tinha conteúdo nenhum, meu bolso não sangrava uma moeda sequer, a diferença é que, o que me quis, aceitava voucher.

Antunes Belo Horizonte, 10 e 11 de novembro de 2009