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Érase una foto

Por burrice cultural, achei que os cholos na Bolívia fossem como as tradicionais baianas no Brasil. Achei que estivessem mais para fantasia e eventualidade do que para uma realidade cotidiana. Descobri, entretanto, que a maioria da população é composta por cholos e cholas. Se você não sabe o que é, explico: são descendentes indígenas que assumem suas origens e andam vestidos com trajes que os identificam culturalmente: roupas coloridas e chapeuzinho (lembre-se que grande parte da Bolívia é fria, os índios não andam de tanga). Desde que cheguei à Bolívia, estava doido pra dar um close e sacar uma bela foto ao lado de uma chola, porém ficava sem graça, pois daria muita pinta de turista e poderiam me entender minha atitude como ofensiva. Não perdi a primeira oportunidade que tive:

Entramos, Nôla e eu, em uma loja de chulos y guantes em Sucre, nos preparávamos para enfrentar o frio de La Paz. Depois de comprarmos luvas e toucas, me virei para o dono da loja (um casal cholo) e mandei:

– pode tirar uma foto nossa com sua esposa? (ela estava totalmente a caráter).

– Foto?

– Sí, si… una foto…. una fotito

– Claro, mas primero yo.

– Cómo? – não entendi nada.

– Para que yo saque uma foto sua, tire primeiro minha.

O cholinho deu uma corridinha (a la Marotta) pro lado da esposa, fez pose e, sem entender muito bem, tirei a foto. Mostrei pra ele.

– Sí, si… está muy buena. Mira! Mira! Mira! – mostrava para a esposa.

– Pronto, agora você tira foto nossa com a sua esposa.

Havia chegado o momento em que, finalmente, eu conseguiria a foto que esperava ao lado da chola. O vendedor preparou, apontou e… abaixo, a foto que ele tirou.

Antunes
Rio de Janeiro, 15 de junho de 2010

O casal de Cholos - foto que tirei

Aí a foto que ele tirou, isso que é amor, deu o close só na esposa

Acha-lenda: o jogo que inventei em Paragominas

Introdução:

Acha-lenda é o mais divertido jogo já inventado por Vinícius Antunes. Saia pela floresta, aventure-se no mato, busque o fantástico. Você e seus amigos irão se divertir, além de desfrutar do saudável contato com a natureza e com as histórias de nosso povo. Acha-lenda, neste jogo, o mais rápido e destemido aventureiro é quem ganha!

Número de participantes:

De 1 a 5 jogadores

Idade recomendada:

De 10 a 60 anos

Equipamentos necessários:

Máquinas fotográficas digitais, vestimentas adequadas e cronômetro(s).

Obs.: este manual não vem com os utensílios necessários. A aquisição destes é de responsabilidade dos jogadores.

Objetivo

Fotografar o maior número de personagens do folclore brasileiro.

Instruções:

Decide-se a quantidade de jogadores (o jogo também funciona com um único participante)

– Os participantes devem se dirigir ao Parque Ambiental de Paragominas.

– A largada é dada do portão de entrada do Parque, ativam-se os cronômetros.

– Os participantes correm em busca de fotografar personagens do folclore.

– Ganha quem tiver feito o maior número de pontos em 10 minutos (em caso de um único jogador ele deve fotografar 5 personagens em menos 10 minutos).

Pontuação

– Cada foto de lenda vale 10 pontos.

– Fotos erradas de qualquer coisa que não seja lenda, perde 5 pontos por foto.

– Picada de mosquito, perde 2 pontos por picada.

O vencedor

É aquele que, feitas as contas, acumula o maior número de pontos.

Agora que você já conhece o jogo, é só cair nesta eletrizante brincadeira!

Antunes
18 de fevereiro de 2010

ABAIXO FOTOS DE UMA PARTIDA DE ACHA-LENDA

 

 

Ponto de partida do Acha-lenda!

Matinta Pereira (lenda) = 10 pontos

Anaconda (não é lenda) = perde 5 pontos.

Sereia (lenda) = 10 pontos.

Urna Maracá (não é lenda) = perde 5 pontos.

Mapinguari (lenda) = 10 pontos.

Pescador (não é lenda, é contador de lenda) = perde 5 pontos.

Saci Pererê (lenda) = 10 pontos.

Curupira (lenda) = 10 pontos. Foto minha publicada no livro Meio Ambiente e Florestas.

 

A melhor foto que não tirei

Há no Caminito um lugar disputado a tapas pra se tirar foto. É uma escadinha duma construção delgada com o Maradona à janela. Por força da maioria, instinto coletivo, gadismo, resolvemos, Nô e eu, sacar uma foto por lá também. Primeiro as damas: ela entrou na fila, esperou, chegou sua vez, subiu a escadinha, passou um dançarino de tango na frente, passou a dançarina depois, fez pose, mirei, apertei, click. Tava lá a foto. Chegara a minha hora de posar de modelo (fatídica hora!). Esperei na fila, fui, um chileno furou minha vez, esperei pouco mais, subi as escadas, tropiquei, fiz pose, acabaram as pilhas, Nô foi trocá-las,o pessoal tava impaciente – como as pilhas outrora estavam jogadas na minha mochila, havia grudado com chiclete dentro da máquina e nada delas saírem – e a Nô dava tapinhas na máquina, e o povo impaciente, e eu empatando a fila. Foi quando uma menina nervosinha e apressadinha resolveu subir as escadas e, a despeito de mim, mandou que a amiga batesse a foto. Num misto de insatisfação, revolta, deboche e sem-noçãozice, levantei o braço e pus chifrinhos na turista. A amiga bateu a foto. Quando a Nô conseguiu tirar a minha, ela já tinha saído e os chifres já se tinham desfeito. Foi assim, então, que eu tirei a melhor foto que não tirei. Não está comigo, mas está com alguém, é uma obra de arte, um ícone, um recuerdo inmortal. POR FAVOR, SE VOCÊ SABE DE ALGUÉM QUE VIAJOU PARA A ARGENTINA E LEVOU CHIFRINHOS NUMA FOTO, COMUNIQUE-ME. GOSTARIA MUITO DE TÊ-LA POSTADO AQUI!

Antunes
Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 2010

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