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Mercadão de Madureira como Ponto Turístico

Pois é muito estranho, leitor, que todas as outras cidades que visito e visitei tenham seus mercados como pontos turísticos e nós não. Em Aracaju o Mercado é referência e fica no Centro da Cidade; em Belém, o Ver o Peso é internacionalmente conhecido; em Belo Horizonte, o mercado também aparece nos lugares a se visitar; em São Paulo está um belíssimo Mercado Municipal, isso porque cito só exemplos brasileiros, mas os internacionais também são famosíssimos como o Mercado de Hechicerías em La Paz. O que faz o Rio de Janeiro esquecer o Mercadão de Madureira? Por que ele não consta nos guias de viagens? Elementar, caro leitor, só pode ser por ele ficar em Madureira, coração de nosso subúrbio.

História, nosso mercado tem. Foi inaugurado por JK e durante anos se manteve como o centro do comércio de todo o subúrbio. Traços incomuns também têm: imagens de metrimeio de Exu Tranca Rua das’Alma e venda de animais pra macumba como bode, pombo e galinha d’angola. Preço barato, é lá mesmo: carnes, doces de Cosmedamião, brinquedos…

Rasguem os guias de viagens! Ponhamos fim à ditadura turística, ora pois! Ano passado com minha esposa, então noiva, e um amigo, Éric que já escreveu pra este blog, levamos dois alemães para conhecer nosso mercado. Fez-se a festa. Os alvos e loiros compraram chocolates batom, Guaravita e, pasme amado e idolatrado leitor, um espremedor de alho, pois os pobres alemães disseram nunca ter visto um alho inteiro, contou-nos que na Alemanha todos já vêm moidinhos pra botar na comida. Maravilhados por haverem visto tão engenhoso objeto para amassar tão incrível vegetal, compraram-no. Imagine, leitor, tão tristes e incompletos seriam estes viajantes germânicos não tivessem conhecido o Mercadão de Madureira e seu espremedor de alho!

Antunes
Santa Cruz de la Sierra, 9 de maio de 2010.

às Portas dum mundo
O ventre do Mercado
Exu trancando as ruas do Mercadão
O preço tá bom!
Tem até escada rolante
Pombos e frangos
Frangos e bodes
A Galinha d’Angola

Gol contra

Chovia. Ou melhor, choveu durante toda a semana. Minto. Não choveu durante toda a semana, pois sábado de manhã no casamento da Jaque não choveu, pelo contrário, fez sol pacas. Dizem que ela gastou ambos os joelhos orando pra fazer sol porque o casamento era a céu aberto. Eu também gastei os meus, mas que posso fazer se Deus prefere os casamentos aos vôos?

Entre chuvas, a Gol preparou-me uma surpresinha: terceirizou o vôo. É, baratíssimos leitores, se não bastasse terceirizarmos faxina, telefonia, segurança, agora terceirizamos o ato do vôo. A responsável por me levar a Vitória foi uma tal de Flex linhas aéreas (nunca ouvira falar). Metaforizarei: imaginem se a águia resolve terceirizar seu vôo a uma galinha. Pronto, foi isso.

Como todos os leitores sabem, fiz um MBA em Aeroportuária¹ e uma das brilhantes teses a que cheguei foi: “Todas as aeromoças são bonitas, inclusive as feias.” Toda regra possui uma exceção ou minha tese foi por água abaixo? As aeromoças da Flex são tiazonas encalhadas que por não terem o que fazer resolveram viajar por aí a bordo de aviões. As janelas da Flex possuem as borrachas arrancadas, as poltronas são frouxas sem apoio pra cabeça, o ar-condicionado não é individual, o avião faz um barulho de cigarra durante o vôo, treme pra caraca e, pasme, humilde leitor, pasme comigo: nem bilíngüe os anúncios são. Rola um português meio capenga, picotado e pronto. Ok, ok, falar-me-á o leitor: pra quem viajou na Passamedo², a Flex é luxo. É, leitor, mas com a Passamedo eu fui pra São José do Rio Preto e com a Flex eu fui pra Vitória, Capital do Espírito Santo, o terceiro da trindade de um Deus uno, ou seja, o primeiro da trindade também.

Mas, o importante leitor, cito Shakira: estoy aqui e, apesar da Gol contra, cheguei a Vitória.

1 – Ver a crônica MBA em Aeroportuária, clique aqui.

2 – Ver a crônica Quando os pilotos tomam guaraná, clique aqui.

Antunes
Vitória, 14 de dezembro de 2009

Flex: pra quem só acredita vendo!