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Gastronomia pebana e canaense

Parauapebas e Canaã dos Carajás são lugares sem livrarias e não é porque as cidades são contra a comercialização do saber. Como consolo, falaram-me que há uma biblioteca perdida por Peba, mas não vi, escondeu-se de mim. Mesmo assim, se bater aquela vontade de comprar um livrinho, controle-se ou saia correndo pra Belém. Sendo impossibilitado deste maior bem que o homem pode ter: ler, vamos ao segundo: comer. Ficar nestes lugares significa engordar. Não que a comida seja maravilhosa, mas comer é a melhor opção de lazer. Assim que cheguei em Parauapebas e Canaã apanhei para encontrar “comidinhas e bebidinhas”, mas consegui superar o sofrimento e indico aqui os menos piores lugares para quem não quer morrer de inanição no meio da floresta.

PARAUAPEBAS

Acarajé do Baiano
Rua G, 258 – Bairro União

Eu nunca tinha comido acarajé e vatapá e arrisquei no Pará. Deu certo. O baiano tem uns pratos muuuito baratinhos e o acarajé é delicioso, transborda camarões – por um momento fiquei em dúvida se estava mesmo no Pará, ah, mas os paraenses reagem: o Vatapá é nosso!

Don Mendonça – restaurante e pamonharia
Rua 10, nº242 – Cidade Nova

Diferente do acarajé, eu já tinha comido pamonha. Pra ser bem sincero, eu não tinha gostado muito não. Porém, quando entrei no Dom Mendonça achei tudo meio caro e restou-me arriscar as pamonhas que são baratinhas… caramba, tomei um susto, o treco era muito gostoso. Se for a Parauapebas, não deixe de comer as pamonhas do Mendonça.

Nany’s Caldos Grill
Rua 10, esquina com a Rua G, Cidade Nova.

Longe de ser o paraíso, o lugar serve pra aumentar ainda mais o calor do lugar, ainda mais se lascar pimenta como eu fiz. Quando voltei pro hotel eu suava até pelos fios de cabelo. Mas, é uma pedida barata pra comer um caldo de mocotó, costela, camarão, ovo e por aí vai.

Praça Mahatma Gandhi

Pra quem gosta de comer podrão no Rio de Janeiro, o lugar não vai assustar. É um pólo gastronômico: tem sorvete de frutas típicas e barracas com várias descendentes de indígenas vendendo Tacacá. Explico: Tacacá é uma comida típica do Pará, o sabor é desconfortável, como se estivesse tomando uma cuia de água do mar com vinagre. Tem, também, o guaraná da Amazônia. A receita é: xarope de guaraná, pó de guaraná, castanha, amendoim, leite em pó e água. Se você quer arriscar o diferente, vale à pena.

CANAÃ DOS CARAJÁS

Vale dos Carajás – Bar & Restaurante
Rua Sucupira, 13 – Centro

É difícil encontrar comida boa em Canaã dos Carajás. O Vale é um restaurante familiar típico de Goiás, possui o melhor espetinho de carne com bacon da região e o atendimento é quase igual ao do sofá da sua casa.

Garfos Pizzaria
Rua Asdrubal Bentes, nº519

Se há uma coisa cara em Canaã é a pizza. Porém, na falta de opção, vale arriscar a portuguesa do Garfos, com a massa grossa, meio queimadinha, mas gostosa. O suco de cupuaçu é o melhor que tomei em todo o Pará.

Beer.com
Av. Weyne Cavalcante, 846


Este restaurante é dos mais originais: sua vista dá pro cemitério local, o que nos faz questionar sobre as origens de suas carnes, com disse meu amigo Roberto Augusto: não é carne, é presunto. Não recomendo a carne-de-sol, os defuntos do Rio são bem melhores. A especialidade do lugar é o Tucunaré, mas não posso recomendar porque não arrisquei. O atendimento não é bom e a maioria dos pratos são pra duas pessoas.

Girafas – Alacarte Gril
Av. JK nº114

Esta é uma pérola local. Na falta de outro melhor, deveria virar ponto turístico. É um genérico do famoso fastfood Giraffas, sendo que o cardápio é igualzinho e a comida é bem melhor. Só vendo pra crer.

Dado o mapa da mina vale a pena você sair do conforto do seu lar, atravessar a floresta, adentrar o Pará, só para comer nos deliciosos “restaurantes” interioranos. Aproveite!

Antunes

Rio de Janeiro, 15 de outubro de 2009

O Tucunaré com vista pro cemitério

O Tucunaré com vista pro cemitério

Girafas genérico

Girafas genérico