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Crônica Falada 13 – Fortaleza

Fui a Fortaleza, porém, impedido de fazer um vídeo na praia, acabei fazendo esta tosca autofilmagem no quarto de hotel. Aproveitei o ensejo para fazer uma campanha em prol dos Jegues e da não-violência.

Antunes

El Prado, patrimônio cultural de Barranquilla

– Sabe onde fica o hotel El Prado? – perguntei ao taxista.

– ¿Cómo no?, El Prado é nosso patrimônio cultural.

Chegamos a um hotel branco e imenso como aqueles de fotografias protagonizadas por gente importante. Estacionamos entre palmeiras e logo surgiu um botones* se oferecendo para carregar minha mala – mal sabia o pobre que eu não tinha moeda alguma. Atravessei corredores imensos como um cenário de Alice no País do Espelho, o dia, como todos os dias em Barranquilla, estava extremamente quente e úmido. Entrei en la habitación com o maior pé-direito que já vira em hotéis, atravessei uma pequena sala e, finalmente, me estirei na cama. Liguei os dois aparelhos de ar-condicionado. Apenas algumas horas do descanso necessário às ruas da cidade.

*É como são chamados os homenzinhos que ficam carregando malas, bajulando os outros, ganhando gorjetas. É assim porque a roupa deles possui muitos botões.









Comer e morrer

Achava que dentro de um critério estrito todo remédio era veneno, e que setenta por cento dos alimentos correntes apressavam a morte.”
(Gabriel García Marquez em O Amor nos Tempos do Cólera)

Há uma música do uruguaio Daniel Viglietti que traz o paradoxo: “Me matan si no trabajo, y si trabajo me matan.” Faço a adaptação: “Me mato si no como y si como me mato”. Este é o paradoxo que quero. Comer é algo que sempre nos faz mal, caso exerçamos ou não o verbo. Quiçá, então, o melhor seja morrer comendo ou morrer de tanto comer, visto que pelo menos traz algum prazer. E, para envenenar-se, a Colômbia, especificamente Barranquilla é um paraíso. Um costume de nossos vizinhos é a mistura de carnes: frango, boi e porco num mesmo prato. Outra tradição barranquillera é a fritura. Tudo, praticamente tudo, em Barranquilla é frito. Por exemplo, o lanche da tarde no intervalo do trabalho era bolinho de aipim. No café da manhã, nada de pãozinho com manteiga, o bom era carne de porco e frango! Porém, o deus da mesa é o café. El cafecito colombiano é motivo de orgulho nacional. Andando de taxi, meu motorista parou no posto para que tomássemos um café, pois julgava que eu não poderia sair da Colômbia sem tomá-lo. Só que, eu já tinha tomado tantas vezes, pois todos julgavam como ele e queriam me empurrar café pelas goelas abaixo com uma rivalidade futebolística: “Depués que lo tomes no quererás más el de Brasil.” Tornei à terra do feijão com arroz, continuo viciado no café brasileiro, pouco tempo fiquei em Barranquilla, mas trago comigo a certeza de que quando eu morra, ela terá sido uma das principais responsáveis.

Antunes
Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2011

Panzerotti de Carne - a primeira comida que encarei na Colômbia

O panzerotti por dentro: lingüiça, presunto e carne moída (aeroporto de Bogotá)

El churrasco ou la parrillada que segundo o garçom é pra UMA pessoa

Pizza que comi no restaurante Torre de Pizza em Barranquilla

A Pizza mais só que já comi

brownie colombiano

Lá eles comem pamonha também, é no café da manhã

Cardápio de um fast food tipicamente colombiano

Arroz trifásico com a mistura de carnes que eles gostam

Limonada feita com água de coco

Toffolo: um hotel ficcional

Tudo se come, tudo se comunica,
tudo, no coração, é ceia
.”
(Drummond, Hotel Toffolo)

Tudo no coração é ceia e imagino, ao redor deste banquete-coração, poetas como Drummond, Bandeira, Vinícius de Moraes e Oswald de Andrade. Era assim no hotel Toffolo. Hoje em dia, passamos diante dele e vemos senhores petiscando e cervejando. Não fosse a placa que está à parede, sequer imaginaríamos que ali estiveram aqueles senhores tão cheios de letras que tornavam o feijão e o arroz secundário à mesa. Não fosse nossa ignorância, até hoje veríamos senhores como aqueles, mas não conseguimos saber quem são aqueles velhos barrigudos que hoje sentam ao Toffolo, pois já não são famosos os poetas, são famosos apenas os atores das novelas – que bom pra eles. Fui ao Hotel Toffolo, tomei o cardápio e vi quão caro os versos de Drummond deixaram qualquer cerveja. Não tivesse escrito, eu poderia lá sentar. Não tivesse escrito, eu não quereria lá sentar. Não fiquei, fui às ruas buscar lugar mais barato, pois o Toffolo já pertence mais à ficção do que à realidade.


Leitura do poema Hotel Toffolo in loco

Antunes
Rio de Janeiro, 21 de outubro de 2010

Um pouso de cigarra em Paraty

À parede, em azulejos, está escrito com letras miúdas: “Cigarras, pouso familiar”. Batemos à porta como quem bate nos portões de um antigo castelo e só respondeu o silêncio. Olhei pela janela e vi outra época organizada em móveis. Voltamos a bater com ares curiosos de João e Maria à porta da casa de doces da bruxa.  Surgiu uma moça pra atender-nos e disse que ficássemos à vontade, a dona da pousada chamada Maria Rameck nos reservara um quarto.

O quarto era feito daquela acolhedora simplicidade proporcionada pela madeira. Nele dormimos por dois dias e acordamos outros dois. Uma música antiga nos convidava para o café da manhã e, como no desenho da Bela e a Fera, tinha a impressão que eram os talhares e louças que nos serviam. Não havia gente na pousada. Ao chegar à mesa, o mais repleto café da manhã que já vi em toda a vida: com toda aquela comida caseira feita por mãos que só poderiam ser de alguma avó. Enquanto mordíamos, saiu da cozinha a dona Rameck a contar histórias da juventude que se confundiam com a pousada, com a música que tocava e com os bolinhos de palmito. Saíamos por todo o dia e voltávamos à noite. Paraty era bonita dos dois lados da pousada.

Antunes
Rio de Janeiro, 26 de agosto de 2010

Site da pousada: http://www.paraty.com.br/cigarras/

A Pousada Cigarras da dona Rameck

Fartando-me no café da manhã

Presente que ganhamos de dia dos namorados da dona Rameck

O gramofone contou-me um segredo em música

Ela à janela

A vista da pousada

Martín, el guía andino

Quando me aventurei nos interiores do Pará, tive a ajuda do grande guia da floresta, seu Luiz Gonzaga, que acabou se tornando uma espécie de amigo pessoal. Posso dizer que tenho sorte com guias, pois quando estive em La Paz e quis conhecer o Titicaca e as ruínas Tihuanaco, contei com a destreza, inteligência e simpatia de Don Martín. Exato. Martín como o argentino Martín Fierro. Porém, este, bolivianíssimo. Contou-me, entre sorrisos, a história do Centro de La Paz, narrou-me aventuras durante o caminho e me aguardou pacientemente visitar cada museu do império Tihuanaco.

Recomendo: quem for para La Paz, contrate os serviços do guia Martín que o levará de carro, por um preço justíssimo, para conhecer os mais fantásticos lugares bolivianos.

Faça contato com ele através dos hotéis LP Columbus

LP COLUMBUS: Stadium Miraflores, Av. Illimani N° 1990 • Telf. (591-2) 224 2444 Fax: (591-2) 224 5367, La Paz – Bolivia

Site: http://www.lphoteles.com/

Recomendo, também, muito bem, o hotel.

Obs.: Esta propaganda é inteiramente gratuita, ou seja, não ganhei nem um tostão para fazê-la, faço motivado pela qualidade do guia.

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010

Don Martín, o guia e seu carro diante do Titicaca

A Nova Zelândia de todos os dias

Ao passar os canais da TV, ouvi aqueles vários sotaques espanhóis de programas argentinos, espanhóis e bolivianos. De repente, dentre eles, saltaram-me palavras em português. Palavras que poderiam ser latidos: era a Rede Globo Internacional apresentando TV Colosso. Há de se ressaltar que a Globo Internacional possui uma programação muito melhor que a Globo Nacional, é algo como se fosse uma junção dos melhores programas. O fato é que a TV Colosso voltou à minha vida e passou, enquanto estive em Santa Cruz de la Sierra, a fazer parte da minha programação diária: acordava, ligava a TV, me arrumava pra tomar café, voltava e via o final da TV Colosso, saía do hotel. Claro que tudo isto tem seus prós e contras, como contra tive que, novamente, aturar a mala daquela chip dog chamada Priscila e como pró pude acompanhar as machadadas diárias do sensacional Jaca Paladium que fez com que Santa Cruz de la Sierra virasse a minha Nova Zelândia de todos os dias.

Antunes
Teresópolis, 31 de maio de 2010

O pior é que ela gosta até da Priscila

Jaca Paladium, mais que um ídolo, um EXEMPLO!