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A Colônia

Ouço gritos no silêncio da Colônia Juliano Moreira, gritos que estão apenas no âmbito da imaginação, gritos que são ouvidos pelos olhos ao me deparar com a arquitetura pretérita que fala mais do que o tempo em que estou. Há loucos por ali, eu entre eles, entre eles: eu. A floresta da Pedra Branca avança sobre as construções, a paisagem é de assustadora paz. Pelas ruas daquela cidade quase cenográfica marcham crianças, idosos, cães e loucos com a mesma importância, com o mesmo olhar. Há uma igrejinha pelo caminho, há um aqueduto, paisagem que testa nossa sanidade, paisagem que testa nossa fé em crer que no meio da mata de Jacarepaguá está uma cidade perdida com casarões e favelas. Jacarepaguá seria o cu do mundo, coberto por mata, a esconder o feio: a ela estavam destinados os leprosos do Curupaiti, os pobres da Cidade de Deus, os loucos da Colônia. Quantos mais viriam? Viríamos eu e você, para ser cortês, vá à frente: você e eu. Foi então que veio a virada, veio uma tal Barra da Tijuca e passaram a dizer do enobrecimento de Jacarepaguá, surgia a Nova Elite. Mal sabem, são apenas mais uma escória, como o são todos os humanos igualmente leprosos, pobres e loucos, todos, igualmente você e eu, habitantes da Colônia.

Antunes
Rio de Janeiro, 5 de abril de 2010

A entrada da Colônia Juliano Moreira

Caminhos irracionais

A igreja da Colônia

As casas da Colônia

O cão

O cavalo

A paisagem

Os internos

O forasteiro louco

Aqueduto

Sem razão

E a floresta avança sobre tudo...