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San Francisco de La Paz

A Igreja de San Francisco é bruta e delicada. Feita de inúmeras e robustas pedras, possui detalhes que parecem ter sido feitos por uma senhora velha e sutil. Vive lotada de fiéis e turistas e está bem no centro da cidade de La Paz. Por trás do seu catolicismo e cristianismo tradicional, há o mistério das pedras que parecem revelar diversas caras de deuses indígenas. E não é assim o povo boliviano, extremamente católico, mas repleto de deuses andinos?

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010

A bruta e delicada Igreja de São Francisco

Os sinos da igreja

Os comércios no templo

Repare nos detalhes da pedra as figuras indígenas

É pecado tirar foto na igreja quando não é permitido?

Visões de Lázaro

Adonias Filho cumpre a pena por ser um grande escritor: o esquecimento. É, para mim, sem exageros, um dos maiores prosistas de terras brasileiras. Seu romance genial chama-se Memórias de Lázaro, o protagonista: Alexandre. Vieram à minha memória estas Memórias de Lázaro e vi com os olhos de Alexandre ao voar por sobre a Amazônia. Eis que no miolo do livro o protagonista fugitivo entra numa mata infinita, labiríntica, tenebrosa, enlouquece-se de verde. Foi isto que passei ao interiorizar-me no Pará: uma perturbação verde imensurável, pavor de árvores. Espreitei rios monstruosos, também esverdeados. Cegueira verde, não mais a escura, tampouco a branca de Saramago. Verde é a cor da vertigem e parece que são as copas das árvores que sustentam o pequeno avião que treme como os galhos e voa como as folhas. Até as nuvens são verdes por aqui. Ao aterrissar em meio à floresta, pode tomar-se um taxi que se aventura pela estrada cercada por paredes de árvores. Não há fuga possível, na Amazônia as árvores tramam suas raízes em nossos olhos.

Antunes – Carajás, 24 de setembro de 2009.

Visão do avião sobre a floresta.

Visão do avião sobre a floresta.

Ilhas dentro de um rio.

Ilhas dentro de um rio.

Avião aterrissando na floresta.

Avião aterrissando na floresta.

Vista do hotel.

Vista do hotel.

As árvores sustentam o céu.

As árvores sustentam o céu.

Verdes paredes de Carajás.

Verdes paredes de Carajás.

Medo de quê?

Desejoso de uma fralda, embarquei para Sergipe. Fui um dos últimos a entrar no avião e me deparei com uma multidão de olhos. Fui sentar-me à frente de seis deles. Dois olhos, irmãos duma boca, compartilhavam aos amigos histórias vividas pra modi de aguardar a decolagem: outro dia, amigo meu tava com uma dessas máquina que se vê foto na hora. Lá na minha terra a gente só conhecia Polaroid pra se fazê isso. Aí, o cabra falô pra nós: vô tirá foto de cês , faz pose. Então, inteligente, pensou o sujeito:  vô saí nessa também, ponho o ajuste dos dez segundo e corro ao encontro deles. Quando disparou na direção dos amigos, todos, assustados, debandaram a correr. Volte aqui, pra onde cês vão?, disse o fotógrafo frustrado. Os outros lhe gritaram: se tu que é o dono, ligou a máquina e saiu correndo, é nós que vai ficar aqui parado?

E assim num é o homem? Tem medo da morte, de altura, de escuro, de avião e até de máquina fotográfica.

Antunes – Voando a Aracaju – 15 de setembro de 2009 – 15:02