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Drummond é uma fotografia na parede, mas como dói.

Itabira é apenas uma fotografia na parede. Mas como dói!
(Carlos Drummond de Andrade. Confidência do Itabirano)

O retrato do Drummond pregado à parede, dentro do Memorial Carlos Drummond de Andrade, é o retrato do Drummond sentado no banquinho da praia de Copacabana. Drummond nasceu em Itabira, cresceu em Itabira, viveu no Rio, morreu no Rio, está sepultado no cemitério São João Batista no Rio. Há Drummond por todo Brasil, mas parece que há mais no Rio e em Itabira. A cidadezinha de Itabira é tão pequena que às vezes parece ser só Drummond, embora Drummond nunca seja só Itabira. Um homem é maior que uma cidade de homens. Drummond retornou, post mortem, aos postes de sua cidade natal, às placas das ruas, ao memorial: nele está o clássico banquinho do Drummond, sem praia, sem bundas passando, sem marulho, sem maresia… Drummond está no alto dum morro, refeito em pedras, pedras que provavelmente já estiveram no meio d’algum caminho por aí. Sorte do poeta, quantos não quereriam estar em duas cidades: na que nasceram e na que amaram, eternamente?

Antunes
Rio de Janeiro, 5 de janeiro de 2011


Leitura do poema Confidência de um Itabirano de Carlos Drummond de Andrade diante do Memorial ao poeta em Itabira


Filmagem que fiz do Memorial de Carlos Drummond de Andrade e de Itabira do alto do Parque do Intelecto

Assim que cheguei no Memorial

O memorial Carlos Drummond de Andrade e a placa do poema Confidência de um Itabirano

Foto do Drummond no RJ que está na parede do Memorial em Itabira.

Drummond no seu banquinho, bem longe da praia

Aqui o Drummond usa óculos mesmo

Um abraço amigo no meu poeta

Alto do Parque do Intelecto

O Tiradentes de Tiradentes e a Tiradentes de Tiradentes

Se Joaquim José da Silva Xavier nasceu em Tiradentes, a recíproca é verdadeira, Tiradentes nasceu de Joaquim José da Silva Xavier. Antes a cidade ainda era parte de São João de Rei e, claro, não imaginava que se tornaria a recebedora de turistas que é.  Leva até hoje no seu ventre o filho que gerou e que a gerou. Está ali, no largo das Forras, o monumento ao mais famoso alferes da companhia dos dragões. E, atualmente, é que se tem resgatado a imagem mais antiga do seu José. Tiradentes, ainda no império, era o sujeito esquartejado que atacou a ordem. Depois, em plena República, tornou-se o mártir que precisávamos com cara de Jesus Cristo e corda no pescoço. Hoje, Tiradentes é sabe-se lá o que… pra uns o herói republicano, pra outros o alferes da inconfidência. Certo mesmo é que nos restou este Joaquim José da Silva Xavier de metal, arriscando alguma imponência sob as cagadas de passarinhos.

Antunes
Rio de Janeiro, 31 de dezembro de 2010

Lustrando as botas do alferes


Nôla Farias filma o monumento ao Tiradentes em Tiradentes (MG)

O dia em que tiradentes perdeu a cabeça

Não sei porque este tipo de culto, sei que há. Bem no centro d’Ouro Preto está a estátua do Joaquim José com a inscrição: “Aqui ficou exposta a cabeça de Tiradentes.” O leitor deve saber que após ser enforcado, o Joaquim José foi esquartejado e sua cabeça se destinou ao centro d’Ouro Preto. Fico a imaginar como deve ter sido aquele fatídico dia em que algozes vestidos de negro pararam a picotar o martir e a ouvir dos governantes: a cabeça ficará aqui na praça, a perna irá ali praquela esquina, o braço colocar-se-á acolá. Imagino, senhor leitor, a fedentina de carniça espalhada pela cidade, as moscas e a urubuzada inda mais famitas que os moradores. Imagino, ainda, senhora leitora, a pobre e púdica dona Maria, todo dia a ir reclamar com as autoridades, pois, por morar em residência pouco nobre, penduraram bem em frente a sua casa, logo a cabeça menos nobre do Joaquim José. Todo dia ao abrir a porta de casa, via pendento ao alto dum poste e a apontar para a sua residência, aquela cabeça de pau.

Sentado ao Palácio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, 18 de setembro de 2010

O monumento a Tiradentes bem no Centro de Ouro Preto

Está escrito: "Aqui em poste de ignominia esteve exposta sua cabeça"

Tiradentes num céu azul

Só assim para erguerem monumento a um dentista.

EL ALTO – la ciudad insurgente

El Alto é uma cidade boliviana conurbada a La Paz, como se fosse uma irmã siamesa, mas de cérebro distinto. É a cidade de maior potencial revolucionário da Bolívia. Por lá vive imensa população de cholos e cholas, trabalhadores de La Paz.

O mais interessante é que El Alto, por mais periférica que seja, influencia diretamente toda a capital política boliviana. Antes da eleição de Evo Morales, quando ocorreram diversas insurreições contra o governo boliviano, os moradores de El Alto sitiaram La Paz e deixaram a cidade sem abastecimento, afinal, qualquer um que queira chegar à capital deve cruzar as carreteras de El Alto.

Como símbolo da Cidade Insurgente, nada de padroeiros, santos, monumentos governamentais, nacionalismos indígenas… Entre os casebres da Cidade, está um imenso Ernesto Guevara a olhar do alto, esperando o próximo levante para ganhar vida dentre aqueles cidadãos bolivianos.

Antunes
Rio de Janeiro, 8 de julho de 2010

Família de El Alto esperando para atravessar a carretera

As casas pobres da Cidade Insurgente

O Che Guevara de El Alto, Bolívia

Che Guevara de El Alto feito de materiais reaproveitados