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Respaldado à Estação

Nôla,

E se entrelaçássemos as mãos? São tantos os casais respaldados às muretas que dão para a Praça da Estação. Já não há Sol, nem Lua, só nuvens disformes.  Não posso comentar que o dia está lindo, nem que a Lua brilha, tampouco sobre os desenhos que as nuvens deveriam fazer, mas não fazem, estão incomunicáveis. Só há silêncio nesse segundo. Eu despedaçaria aquele relógio elevado aos céus para ascender a ti. Aí, sim, o mundo seria mais belo, contigo no centro de tudo. As pessoas não correriam ao ver o tempo passar, andariam devagar pra ver a ti. Observo uma paisagem de prédios, daqui há mais arte de homens que de Deus. Aperta firme a minha mão, Nôla, pois o trem está passando e não quero que te leve. Confesso-te: a única certeza que tenho é que choverá, inclusive, engano-me no tempo do verbo: chove. Já sinto as gotas. Temos que ir, Nôla. Temos que deixar de olhar o horizonte. Vamos. Vou-me. Mas, afinal, por que estou a falar contigo se estás tão longe?

Antunes
Rio de Janeiro, 16 de novembro de 2009

Vista da Praça da Estação em fim de tarde nublado