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A festa das cholas em Lloco Lloco

Donde saem estas mulheres cholas que estão em todo e qualquer lugar mesmo quando não há ninguém? Estão nas cidades entre o cinza e o ouro, estão por trás dos cestos de folha de coca, estão no meio do nada e no nada sem meio, estão nos lugares em que nem a lhama chegou. Estão por ali, atrás dos montes, debaixo das árvores, no meio do mato. Talvez a mijar. Mas como conseguem tal proeza se levam consigo tanta roupa que deve ser mais difícil de tirar do que deter qualquer vontade natural ou sobrenatural? E quando se reúnem há tanta festa. E não é que elas riem e não é que até gargalham! Encontrei montão de cholas numa festinha em Lloco Lloco, todas saudando o padroeiro, um santo bom que nem sei qual é. Dançavam dentre os homens que bebiam Paceña na roda. Dançavam, a subir e a descer do mirante. Dançavam inda que estáticas. Dançavam com os olhares. E ali estavam as cholas, em Lloco Lloco, como estão em toda a Bolívia. E ali estavam as cholas, mais presentes que qualquer santo padroeiro.

Antunes
Rio de Janeiro, 5 de agosto de 2010

Lloco Lloco está a 4.028 mestros de altura, é seco e provoca falta de ar

Muitas pessoas chegavam com seus carros para a festa

Cholas e cholos dançam na festa do padroeiro

Há fantasias diferentes, inclusive esta que parece de lhama

Paceña é a principal cerveja boliviana e ítem fundamental à festa. Como o frio durante a madrugada chega a muitos graus abaixo de zero, é habitual que cholos e cholas se embreaguem.

Sentar-se à mesa do vizinho

Comer em outro país é como sentar-se à mesa do vizinho. Não sabemos direito dos seus gostos e, de qualquer jeito, temos que empurrar a comida pra dentro. Na casa do vizinho é pra não fazer desfeita, em outro país, é pra não morrer de fome. Os bolivianos são loucos por frango. Estive por lá e afirmo que se pode encontrar frango dos mais variados jeitos a todas as horas. Uma coisa muito curiosa é que rodei as três principais cidades do país e não vi um Mc Donalds sequer, há raros Burguer Kings e Subway, mas Mc Donalds jamais. Todavia, o que faz sucesso mesmo são os Pollos Copacabana, uma rede nacional especializada em servir frangos. Funciona igualzinho a um Mc Donalds, você pode chegar e pedir a promoção número 1, por exemplo, só que no lugar de receber um Bic Mac, receberá uma coxa com sobrecoxa, batatas fritas, bananas e refrigerante! Curioso, não? Obviamente eu provei… é bastante gorduroso e meio nojento, mas o paladar é gostoso. Outras peculiaridades que encontrei na cozinha boliviana são: a falta de fiscalização sanitária e a pouca preocupação com a higiene, o gosto pelas mandarinas, os picantes, o quinua, as salteñas e o saboroso Sonso (já recomendados em outras postagens)…  As comidas pelo país são bem baratas se comparadas ao Brasil. As refeições geralmente são antecipadas por uma sopa (não cobrada) e finalizadas com uma simples sobremesa. Quanto às sopas, há das mais variadas. Pude, inclusive, provar uma distinta sopa de amendoim com batatas fritas e osso! Se o cardápio não lhe agrada, algo lhe servirá de consolo: lá, bem diferente do Brasil, não se cobram os abusivos 10 por cento do garçom!

Antunes
Rio de Janeiro, 29 de julho de 2010

Pollos Copacabana, o Bobs galináceo da Bolívia

Fazendo um lanchinho no Pollos Cobacana: frango, batatas, refigerante e bananas

Deliciosa sopa de Zapallo, uma espécie de abóbora

Paceña, a cerveja nacional mais famosa

Uma diversa refeição boliviana: carne de porco, batata escura, milho branco e grãos que desconheço

Uma espécie de queijo folheado na parada do ônibus, vai encarar? Eu não!

Sopa de Amendoim com batatas fritas e um pedação de osso no meio do prato pra dar um gostinho

Refresco de lima. Jamais tomem isso, é horrível.

Milkshake de sorvete + café + banana

Cuñapé, o pão de queijo boliviano