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A Paraty do senhor meu pai

Meu pai é um senhor antigo, careca, com uns ares um tanto estóicos, um tanto franciscanos, um tanto budistas, um tanto confusos, que em dado momento da vida resolveu inventar que passou outras vidas em Paraty. Diz-me que morou pela Rua do Fogo, ruazinha singela e florida, num tempo colonial e, até hoje, singela e florida, num tempo que inda parece colonial. Ele diz-me que a rua do Fogo é a de nome mais simples, a de flores mais simples, de solo mais simples, de casas mais simples. Diz-me, também, que ali levou uma vida simples, rodeada de gente simples, de hábitos simples, de simples comidas. Meu pai quando volta de Paraty, sempre me conta esta simples história, mas a mim parece tão complexa.

Antunes
Rio de Janeiro, 30 de agosto de 2010

A Rua do Fogo, antiga rua de Paraty, onde viveu e morreu meu pai

A rua do Fogo é a de nome mais simples, a de flores mais simples, de solo mais simples, de casas mais simples.

Na casa do senhor meu pai