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A maior e mais verdadeira obra de arte de Ouro Preto

É lixo o que fez o Aleijadinho. Ataíde não passa de um discípulo de quinta. O verdadeiro mestre de Ouro Preto não sei quem é, mas é ele quem reverencio. Fica atrás de uma grossa parede, talvez também seja aleijado e talvez também se chame Ataíde, mas sua obra é muito maior. Sua obra não fica exposta em museu algum, muito menos em igreja, talvez sua obra seja, na verdade, o maior dos pecados – não me cabe agora julgar. Tal arte fica à cozinha e também às prateleiras do Cantinho do Pão de Queijo, bem no Centro de Ouro Preto. Pois não adianta dizer-me da Igreja de São Francisco, nem da Casa dos Contos ou do Museu dos Inconfidentes: o que mata a fome do homem é a arte da culinária. Nunca comi pão de queijo igual. Faço críticas veementes à prefeitura de Ouro Preto por não divulgar este pão de queijo como patrimônio cultural. Se não bastasse ser servido puro, há como aprimorar a perfeição: o pão de queijo pode ser servido recheado e, recomendo, recheado de queijo minas. Mas, não é qualquer queijo minas, não é aquele monte de farinha com água que estamos acostumados a comer no Rio de Janeiro e em São Paulo, é queijo de verdade. Não há combinação de artes, não há Aleijadinho e mestre Ataíde somados, há apenas o pão de queijo recheado com queijo minas e confesso que voltarei a Ouro Preto e desprezarei todo aquele lixo barroco, virarei o rosto para a montoeira de anjos, ignorarei Tiradentes, seus cúmplices e seu traidor, voltarei a Ouro Preto apenas para comer pão de queijo e apreciar esta arte de raiz tão mineira.

Antunes
Rio de Janeiro, 7 de outubro de 2010

Aleijadinho não faria desses

É possível aprimorar o que já é perfeito? Queijo e linguiça.

A maravilhosa fábrica de pães de queijo

Dieta a pão de queijo

– Bom, dia senhor Vinícius, é o nosso serviço de despertador, já são sete e meia.

– Muitíssimo obrigado mesmo! – agradeço.

É assim que começa o meu dia no hotel. Como esqueci o carregador do celular, sou despertado por alguém que me acorda pelo telefone. Desço, trezeguetiando, até o pilotis e desjejuo rodeado de pães de queijos. Vou ao curso. 10:30 é sinônimo de intervalo. O lanche: muitos pães de queijo. Quando chega o almoço eu nem tento comer nada, com medo que me ofereçam pães de queijo. 15:30 é sinônimo de um segundo intervalo e, adivinhem: mais pães de queijo. Como não almocei, sinto fome e sou obrigado a comer. Às 18h saio do trabalho e vou procurar um lugar para jantar que não possa oferecer-me pão de queijo, difícil tarefa, até McDonald’s, hoje em dia, serve pão de queijo. Imagino: dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e picles, num pão de queijo! É Minas Mac! Volto ao quarto. Recostado, durmo. Tenho pesadelos terríveis com um imenso senhor Pão de Queijo que me persegue rodeado de pães de queijinho. Sempre que estou no auge do pesadelo, toca o telefone. Então, não resisto e agradeço enfaticamente àquele que me salva: Muitíssimo obrigado mesmo!

Antunes
Belo Horizonte, 25 de novembro de 2009