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A Capela de Bom Jesus da Pobreza

Não sei mais o que é pobreza, a não ser que a pobreza possa ser mais rica que a riqueza. Pois vi pelas Cidades Históricas tanto ouro nas igrejas e que feia elas são, pobres apesar de tão ricas. Quando entrei na Capela do Bom Jesus da Pobreza, em Tiradentes, vi ouro nenhum, mas vi riqueza. A via crucis pintada como fosse o artista uma criança. As paredes como se tivessem sido pintadas por uma menininha que inda se alfabetiza na escola.  E frente à capela, uma charrete rosa, como a esperar as mocinhas-crianças pra dar uma volta pela cidade. O bom Jesus mora numa casa de bonecas e se é onipresente, por que não? Talvez seja o lugar em que mais goste de morar, pois as meninas que cuidam do cristo-barbie são madres atenciosas que inda não estão fatigadas do ofício de ser mãe.

Antunes
1 de janeiro de 2011.

O colorido altar do Bom Jesus da Pobreza

Uma das mais bonitas via crucis que já vi

Às portas da capela

Informações sobre a capela

Diante da capela, a carruagem da Barbie

Alguns pontos sobre a Casa dos Contos

Para ser mais cruel a desventura,
Se fará imortal a minha história.”
(Cláudio Manoel da Costa – Soneto LIX)

Tenho uma jovem amiga, escritorazinha (sem qualquer pejorativo nesse inha) que gosta muito da expressão: “quem conta um conto aumenta um ponto”.  Não sei se gosto da expressão tanto quanto ela, mas penso algo ao contrário: “quem aumenta um ponto conta um conto.” Afinal, é justamente pela nossa necessidade de aumentar causos que acabamos criando novas histórias. De pequenos e sem graça já bastamos nós. Pensei sobre esta expressão de contos e pontos enquanto andei pela Casa dos Contos em Ouro Preto. Contam as histórias, com muitos ou poucos pontos novos, que nela ficaram presos os inconfidentes, nela também, que foi suicidado o poeta Claudio Manoel da Costa. Pois imagino que pela cidade não devam faltar pontos que dizem que os fantasmas dos inconfidentes rodam por lá, principalmente o do seu Claudio Manoel. Pois lhes deverei um ponto, leitor, pois não vou lhes contar que encontrei sentado à sacada o finado poeta a recitar versos perdidos no tempo. Pelo contrário, diminuirei pontos e contarei puramente o que vi.

Vi, no andar superior, quadros que sorriam aos visitantes, mas sem qualquer mistério no seu sorrir, apenas foram pintados assim. Vi obras que se moviam, mas apenas quando girávamos a manivela. Vi corredores coloniais, escadarias de nos pôr inveja, janelas que revelavam Ouro Preto como fosse um filme. Embaixo, depois de descer escadas, depois de dobrar corredores, depois que chegamos a um lugar frio e sombrio do casarão, vi um porão com ares de senzala, abrigo que desabrigava escravos. Vi antigos instrumentos especializados em evocar a dor, vi um silêncio ocre deixado pelos escravos que ali não mais estão. Na casa dos contos, não vi histórias fantásticas, vi um realismo cru de uma velha sociedade que insiste em viver, a separar uns dos outros em salões e senzalas, em livres e prisioneiros, em arte e escravidão.  Na Casa dos Contos, mais que ver aqueles quadros, muito bonitos por sinal, me interessou imaginar que contos contavam os escravos em suas masmorras, me interessou imaginar que lágrimas as chibatas não contariam a mim.

Antunes
No avião do Rio a Salvador, 18 de outubro de 2010

A Casa dos Contos

Nôla passeando pela Casa dos Contos

Interior da Casa dos Contos

Na exposição, parte superior, um quadro

Foto enquanto olhava a exposição na parte superior da Casa dos Contos

Nos porões da casa dos contos é proibido tirar fotos, mas esta saiu sem querer. Retrato da escravidão.

MALBA, a casa de Berni

Não é grande de tamanho, mas de obras. Como bom museu, sua importância vai além das paredes, está nas telas. O Abaporu, de Tarsila, mora ali. Frida e Rivera continuam dormindo juntos. Pode-se parar diante de Botero, inacreditável e redondo Botero! E Antônio Berni? Pouco conhecido entre os brasileiros, mas de arte que merece ser conhecida. Com suas cores fortes, seus traços caricaturais, suas colagens… PARE DE LER! Não há importância no que escrevo. Vá ao Google e digite ANTONIO BERNI. Permita-o viver além-MALBA!

Antunes

Rio de Janeiro, 26 de janeiro de 2009

El MALBA

Olho no lancêêêê!!!!

Iiiiiiiiiiiiiiiiih... foi mal!

A foto proibida de Antônio Berni